Tá sussa.

Devia ser mais ou menos nessa época de começo de ano, mas eu ainda era um Thalesinho com uns poucos meses de vida e nenhuma piada ruim computada no Guinness Book. Meu espírito rebelde começou a agir e do nada parei de mamar e não deixava mais ninguém em casa dormir. Minha mãe achou que tinha algo de errado e quis me levar ao pediatra, mas meu pai falou que não precisava. Tava sussa.

No verão passado, lá pra essa época também, fui à praia com o pessoal da faculdade. Mar calmo, muito sol, fomos dar um mergulho. Do nada começou uma correnteza maluca e ficou realmente difícil voltar pra areia. Perguntei pro pessoal se precisavam de ajuda pra voltar. Uma falou que não precisava (e depois que eu virei, ela tomou um caldo e mudou de ideia, mas não ouvi) e o outro cara não conseguiu responder porque tava engolindo água já. Lembrei do meu treinamento de salvamento em água no escoteiro (1h de curso), voltei pro fundo, segurei ele e comecei a tentar puxa-lo de volta, quando apareceu um Salva-Vidas perguntando se precisávamos de ajuda. Falei que tava sussa.

Odeio teimosia, mas se minha mãe não tivesse ignorado o que meu pai disse e me levado ao médico, eu não estaria aqui escrevendo tanta besteira (a culpa disso tudo é dela). E se o Salva-Vidas não tivesse ignorado o que eu falei, ele precisaria de duas bóias (e eu tomaria uma respiração boca-a-boca totalmente evitável).

Costumo dizer que tá sussa pra tudo. Aqui em casa tá sussa, o trabalho tá sussa, a igreja tá sussa, minha cachorra tá sussa, o coraçãozinho tá sussa, essa gripe tá sussa, essa barriga crescendo tá sussa, o cabelo caindo tá sussa.

Quase nunca tá.

Não sei vocês, mas eu não gosto da sensação de perder o controle das coisas. E muito menos de assumir que o barco tá furado. Gosto mesmo é de otimismo e de dizer que tá tudo sussa.

Dizem que um otimista é um pessimista mal informado, mas na maioria dos casos o otimismo não é uma simples miopia seletiva, é uma varrida pra baixo do tapete. É um ego tão absurdo que engole a própria razão, é o medo de se passar por medroso ao demonstrar medo.

Ao contrário do que o Chaves mostra pra gente, o medo não é uma coisa que te dá um piripaque paralisante, é um instinto que te diz “Vai dar merda, nego! Faz alguma coisa!”. E você tem que fazer alguma coisa. Mesmo que seja a coisa mais absurda a qual um ser humano pode se sujeitar a fazer: pedir ajuda. Pra alguém, pra Deus, até mesmo pro Yahoo Respostas, tanto faz, não tá sussa e você sabe disso.

Eu sei também.

Agradeço a Deus porque tem gente teimosa nessa vida. E, por favor, quando eu disser que tá sussa, teime mais um pouco.

(Ah, fique tranquilo. Tá tudo sussa por aqui.)

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