Porque os homossexuais merecem ir para o inferno (junto com quem cochila no sofá).

(Este texto vai ser bastante diferentão do que eu geralmente posto aqui porque ele foi escrito originalmente como roteiro de uma palestra/pregação e depois adaptado como texto “pra ler” mesmo. Então você provavelmente vai se deparar com umas coisas diferentes e um texto um pouco mais longo. Mas lê aí, se quiser. Ou não também.)

Os últimos meses foram bastante tumultuados aqui no Brasil. É exército na favela, é crime, é briga política, é operação da Polícia Federal, mas se tem um assunto que bombou em tudo que é manchete, timeline e sofá da Fátima Bernardes, foi a homossexualidade. E esse é um assunto sobre o qual precisamos conversar – principalmente com os cristãos.

Só em Setembro de 2017 tivemos toda aquela polêmica envolvendo uma exposição de arte do Santander, cheia de obras (feias que dói) falando de homossexualidade e envolvendo o cristianismo. Tivemos também a polêmica de uma peça em que um transexual encena Jesus. E, por fim, tivemos a decisão de um juiz do DF que libera estudos e terapias psicológicas sobre reorientação sexual para homossexuais, que alguns estão dizendo ser a liberação da “Cura Gay”. No meio de tudo isso vimos aumentar ainda mais uma guerra que está rolando no Brasil entre defensores das causas LGBT e cristãos, principalmente evangélicos. Essa briga já rola faz tempo e envolve políticos, igrejas, partidos, artistas, redes de televisão e mais um monte de gente que tá se estapeando que nem doido por aí.

Mas, por mais que você tente ficar de fora dessa treta toda, ela uma hora chega até você: querendo ou não nós acabamos entrando nessa guerra, nem que seja por tabela. E se, assim como eu, você também é cristão, eu te digo que nós precisamos saber o que Deus pensa sobre isso tudo, o que ele tem revelado através daquele livrão bonito chamado de Bíblia, que é o que nos dá direção no meio dessa muvuca toda.

Pra basear nosso papo aqui, te sugiro abrir (ou ligar, se você for dos moderninho) sua Bíblia em Romanos 1 e ler os versículos de 18 a 32. Nestes 3 primeiros capítulos Paulo destrincha a questão do pecado e da culpa da humanidade, e vamos usar bastante essa ideia daqui pra frente.

Se você já leu, beleza, vamos seguir! (Se não, tranquilo também, eu compartilho de sua preguiça.)

 

• A HOMOSSEXUALIDADE COMO PECADO

Você provavelmente chegou até aqui por conta do título bizarro deste texto, mas antes que me processem ou me joguem tomates virtuais na cara, eu quero explicar dizendo o óbvio: os homossexuais, sejam eles gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, ou qualquer outra definição, merecem ir pro Inferno porque são pecadores. Sim, homossexuais são todos pecadores.

Por coincidência, também são pecadores todos os homens heterossexuais casados. Assim como são também as mulheres heterossexuais solteiras. Assim como são os jogadores de golf. Assim como são os Norte Coreanos. E os Filandeses. E os Marroquinos, porque não? Os Corinthianos, sem a menor dúvida.

Assim como também é pecador quem cochila no sofá. Assim como eu, assim como você.

E isso a Bíblia deixa bem clara em Romanos 3:23 e Romanos 6:23a, quando diz que “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus” e que “o salário (ou seja, aquilo que merecemos pelo nosso esforço) do pecado é a morte”, e morte eterna, já que na continuação do versículo ele fala sobre vida eterna.

Mas os cristãos, em grande parte, não se contentam com a condenação geral que paira sobre toda a humanidade, e resolvem perseguir ferozmente a galera homoafetiva. E por que isso?

É comum ver cristãos trocarem de calçada quando um casal de lésbicas vem no mesmo sentido, ou cobrir os olhos do filho quando um casal gay se beija. É comum ver cristãos brigando com todas as forças para impedir arte gay, filme gay, casamento gay, e tudo isso como se brigar fosse resolver alguma coisa.

Mas eu nunca vi alguém trocar de calçada quando vê um político corrupto vindo no mesmo sentido. Eu nunca vi um pai cobrir os olhos do filho em churrascaria quando tem um guloso se empanturrando de carne no rodízio. Nunca vi cristãos brigando pra impedir desmatamento, tráfico de drogas, divórcio e outras pautas que nós já aprendemos a conviver pacificamente até demais.

No versículo 16 de Romanos 1 Paulo fala que não se envergonha do evangelho. Mas dos evangélicos, vamos falar a verdade… de vez em quando bate aquela vergonha.

A verdade é que homossexualidade nos incomoda e, quando já não temos mais argumentos pra explicar nossa perseguição, usamos a Bíblia pra isso: não gosto da homossexualidade porque ela é pecado. E sim, a Bíblia diz que é mesmo, olha só o que está escrito em 1ª Coríntios 6:9-10:

“Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus.

E essa mesma afirmação é reforçada em outros livros da Bíblia, tanto do Velho Testamento, quanto do Novo Testamento. Hoje em dia, aliás, rola muita discussão a respeito destes textos também, porque muitos acreditam que as palavras usadas no grego para homossexuais, afeminados, sodomitas e coisas do tipo, na verdade falam de pessoas “devassas” ou “safadas”. Tem até um debate horroroso entre um youtuber e um pastor/deputado (que você sabe quem é) sobre isso, e dá uma baita vergonha alheia ver os dois discutindo sem base nenhuma essas coisas. A treta deles se desenrola sobre qual palavra hebraica Paulo usou na sua carta, que foi escrita em greg. Sim. Os dois mostram que manjam muito do assunto.

Mas fica  complicado pra nós, brasileiros do Século XXI sabermos ao certo do que Paulo falava, a não ser que você conheça algum grego que seja teólogo. Por coincidência, eu vejo um espécime destes todo Domingo, e perguntei pra ele outro dia: “Alexandros, o que que significa Malakoi e Arsenekoitai em grego?”. Ele, então me explicou toda a greguisse da coisa e reforçou que a melhor tradução é, de fato, homossexual passivo/efeminado e homossexual ativo/sodomita. Treta linguística resolvida.

No fim das contas, a real é que a Bíblia fala mesmo que a homossexualidade é pecado, e Deus tem o porque disso.

Pra explicar isso de maneira rápida e simples, vamos tentar resumir o que é o pecado:

Lá no Velho Testamento, em Isaías 59:2 tá falando o seguinte:

“Pois são os pecados de vocês que os separam do seu Deus, são as suas maldades que fazem com que ele se esconda de vocês e não atenda as suas orações.”

E em Romanos 1, Paulo fala o seguinte no verso 18:

“Do céu Deus revela a sua ira contra todos os pecados e todas as maldades das pessoas que, por meio das suas más ações, não deixam que os outros conheçam a verdade a respeito de Deus.”

Junta essas duas coisas com o seguinte: antes de Cristo existia uma enormidade de leis que Deus deixou pro seu povo seguir, mas que Jesus resumiu em duas coisas: Ame o seu Deus acima de todas as coisas e ame o seu próximo como a ti mesmo. Eu gosto de pensar nisso como “3 amores”: amor a Deus, amor ao próximo e amor próprio.

Pensando nessas coisas, de maneira ultra resumida, o pecado não é pecado simplesmente porque Deus não gosta e ponto final, mas o pecado é tudo aquilo que atrapalha o relacionamento consigo mesmo, o relacionamento com o outro e o relacionamento com Deus. O pecado é aquilo que faz mal para mim, aquilo que faz mal para o outro, aquilo que me separa de Deus e aquilo que eu faço que impede os outros de conhecerem a Deus.

Beleza, fera: bonita definição de pecado, mas o que que curtir pessoas do mesmo sexo tem a ver com isso? Muita gente pega outros versículos pra relativizar o pecado da homossexualidade, muita gente dá o troco dizendo que pecado é a homofobia (e é pecado também!), muita gente tenta argumentar dizendo que “toda forma de amor é válida”, mas Jesus mesmo disse que, por exemplo, o amor ao dinheiro não é válido.

Porém a lógica por trás do pecado da homossexualidade é muito próxima da lógica do porque cochilar no sofá também é pecado: a perversão. E não entenda perversão aqui no sentido de safadeza, mas no sentido alterar o que uma coisa deveria ser. Perverter é pegar uma coisa que tinha um propósito muito bom, e usá-la de uma maneira que pode até parecer boa, mas não é.
Vamos pegar o exemplo do sofá, primeiro.

A tentação de puxar um ronco no sofá é muito forte comigo. Eu tenho que confessar a todos vocês que tenho um problema com sofás. Principalmente porque os sofás, em geral, não são feitos para dormir. O sofá lá de casa é daqueles que foram pensados pra se sentar. O formato dele é feito pra sentar, ele é alto, geralmente tem uns espaços entre uma parte e outra, tem uma inclinação pra trás, tem os braços altos feitos pra apoiar os… braços. Mas eu perverto muito o sofá.

Eu durmo todo torto nele, porque eu não caibo direito nem no de 3 lugares. Eu forço a minha coluna já torta, forço os meus quadris recém operados, e às vezes eu deito no sofá de 2 lugares deixando as pernas pra fora, daí depois acordo com dor nos joelhos. Além de toda essa falta de amor próprio, eu mostro que não me importo com o próximo e babo tudo na almofada, deixando ela fedendo consideravelmente. Meu pescoço, aliás, fica todo torto porque a almofada é muito baixa. Quando tá frio eu coloco umas almofadas em cima do meu cheiroso pé e tento me cobrir com a capa do sofá cheia de ácaros.

Quando eu morava em Bauru a gente ganhou na república um sofá branco com aqueles couros de pobre, sabe? Em duas semanas ele já era bege, e como lá é muito quente, eu costumava dormir no sofá sem camisa. Depois acabava levando 2 horas depois pra conseguir me desgrudar do sofá.

Atualmente, pra tentar pecar menos, eu levei um colchão pra sala de casa, mas não é a mesma coisa, porque existe um lugar certo pra dormir, que é no quarto. No quarto tem uma coisa fantástica chamada cama, com um colchão retinho onde eu caibo inteiro. No quarto fica escurinho e silencioso, e eu não acordo com a propaganda do Hotel Trivago a cada 10 minutos na TV. Na cama eu tenho lençol, então não fico grudado no colchão, e ainda tem cobertor pra quando eu sinto frio, além de um travesseirão onde eu posso babar à vontade porque é só meu mesmo. Ainda tenho mais dois travesseiros, um pra colocar entre os joelhos e um pra abraçar (e não é carência… é solidão mesmo).

Dormir é muito bom, Deus teve uma ótima ideia ao inventar isso, e é até possível dormir no sofá. E não vamos mentir, é gostoso dormir no sofá. A sensação de rebeldia é muito boa. Mas essa não é, nem de longe, a melhor maneira de dormir.

 

Com relação ao sexo é bem parecido: Deus criou o sexo pra ser uma coisa extremamente boa, e tanto em Gênesis quanto nos evangelhos, ele afirma que “sairão o homem e a mulher da casa dos pais, se unirão e se tornarão uma só carne/pessoa”. Deus estabelece que o sexo é a representação máxima da unidade, da união entre um homem e uma mulher que já são independentes dos pais e que passam a viver juntos repartindo tudo como uma só pessoa, ou seja: um homem e uma mulher casados.

Deus usa o sexo para dar o sentido total da ideia de que o homem e a mulher são parceiros que se completam, tanto biologicamente, quanto emocionalmente e espiritualmente. E Deus é tão fantástico que ele cria esse negócio de sexo e coloca um prazer absurdo nesta união perfeita que ele criou, e isso sem a necessidade de nenhum tipo de cirurgia, nem de brinquedos ou equipamentos, nem de cursos, nem de remédios, nem de lubrificantes, pomadas e nem nada disso. (Dizem, né… Não sou a pessoa mais experiente na prática.)

Deus criou o sexo de maneira ótima e perfeita, e não é à toa que a Bíblia toda reforça isso exaltando o amor entre homem e mulher casados, mas condenando o adultério, a prostituição, a zoofilia, e também a prática homossexual.

O pecado de dormir no sofá e das práticas homossexuais podem ser melhor entendidos quando continuamos aquele texto de Romanos 1:18, nos versos 19 e 20:

“Do céu Deus revela a sua ira contra todos os pecados e todas as maldades das pessoas que, por meio das suas más ações, não deixam que os outros conheçam a verdade a respeito de Deus.

Deus castiga essas pessoas porque o que se pode conhecer a respeito de Deus está bem claro para elas, pois foi o próprio Deus que lhes mostrou isso. Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não tem desculpa nenhuma.”

Dormir no sofá e praticar homossexualidade são pecados porque nos impedem de experimentar plenamente as coisas fantásticas que Deus criou para mostrar as suas qualidades invisíveis. O sexo, o descanso, a música, a arte, a comida, a bebida e muitas outras coisas foram criadas por Deus para nos mostrar através do prazer como ele é bom, como ele é poderoso, como deve ser extremamente fantástico viver a eternidade ao lado de um Deus que se preocupa conosco.

Mas nós, por conta de nossa condição pecadora, pervertemos cada coisa boa que Deus criou, porque somos pecadores, rebeldes e achamos que entendemos mais que o próprio Criador.
Ok, a Bíblia fala que a homossexualidade é pecado, existe uma lógica nisso tudo, mas e daí? Isso serve só pra quem é cristão, e fora das igrejas ninguém é obrigado a acreditar nessa história toda de pecado.

Jesus, em João 16:8-9 fala o seguinte:

“Quando o Auxiliador (o Espírito Santo) vier, ele convencerá as pessoas do mundo de que elas tem uma ideia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus. As pessoas do mundo estão erradas a respeito do pecado porque não crêem em mim.

Jesus está falando uma coisa importantíssima a respeito dessa questão toda de pecado: quem convence o pecador não são os cristãos, e sim o próprio Deus. E Deus apenas convence o pecador sobre isso tudo quando vai habitar no coração dessa pessoa. E isso é importante levantar porque nenhum praticante de homossexualidade que não conhece a Deus vai mudar de ideia sobre o próprio pecado enquanto Deus não chacoalhar as coisas lá dentro dele. Até porque, se ele não conhece Deus, ele não tem nem como se preocupar com pecado, céu ou inferno.

Portanto, quero que você guarde isso pra vida: É o Espírito Santo quem convence do pecado, e não o seu textão no Facebook. É o Espírito Santo quem faz a pessoa entender o que é direito e justo, e não uma lei aprovada em Brasília. É o Espírito Santo quem faz a pessoa ter uma ideia correta sobre o julgamento de Deus, e não o seu dedo apontando pro pecado dela. Combinado?

E o fim desta fala de Jesus nos levanta uma pergunta: Homossexuais crêem em Deus?

É pesado falarmos que os homossexuais não conhecem a Deus, principalmente porque em grande parte, infelizmente isso é verdade: a maioria dos homossexuais não conhece a Deus. E isso não é porque eles não querem saber de Deus. Não é porque eles são pecadores sem conserto. Não é porque eles são safados, depravados, esquisitos, doentes ou qualquer outra coisa que se diga por aí. O motivo é bem simples: a maioria dos homossexuais não conhece a Deus porque as igrejas estão chutando eles pra fora.

 

• A HETEROSSEXUALIDADE COMO MULETA DA HIPOCRISIA

E eu digo isso, infelizmente, com propriedade. Passei por muitas igrejas na minha vida, e em uma delas conheci dois rapazes muito diferentes. Num Domingo acabou o culto e eu fui falar com eles e disse “Oi, eu sou o Thales”, e um deles respondeu com um “Oi, eu sou o Fulano.”. Falou forte, grosso, aperto de mão firme, braço peludo, muy hombre. Já o outro soltou um “Olááám, e soum o Ciclanum!”, adicionando um M no fim das palavras mesmo, com a voz fina e mole, dobrando o pescocinho pro lado.

Conheci melhor eles com o passar do tempo, e vi que um deles era todo cabra macho: cortava lenha, falava palavrão, batia nos outros, cuspia no chão, falava de mulher toda hora. O outro, eu nunca soube ao certo, mas achávamos que ele era homossexual: ele era realmente um cara todo delicado, só se dava bem com as meninas, às vezes agia como se fosse uma.

Um ficava jogando bola com os moleques, o outro ficava fazendo fofoca com as meninas. A galera, e eu incluso, zoávamos o suposto gay e exaltávamos o machão. A gente zoava a voz fina de um, mas exaltava o soco forte do outro.

Anos depois, os dois se afastaram da igreja e, cada um ao seu modo, se perdeu numa vida longe de Cristo. Nós fomos incapazes de trabalhar o evangelho em ambos: um porque tínhamos preconceitos; o outro porque achávamos legais os pecados que ele cometia. E tudo isso porque é errado pra um homem chorar vendo um filme, mas é legal pra um homem dar soco na cara dos outros pra mostrar quem manda. A heterossexualidade que nós exaltamos é meio absurda, muitas vezes.

Porque é legal ser o cara pegador. É legal xavecar toda menina que passa por perto. É legal consumir pornografia, principalmente naquelas onde as mulheres se rebaixam a fazer as coisas mais degradantes. É legal ser violento, é muito louco bater em alguém. É legal achar que é superior, que é mais forte. É legal receber nudes, e mais legal ainda repassar pros amigos.

E pras mulheres também: é legal fazer algum rapaz de trouxa e obrigar ele a fazer todas as suas vontades. É legal pegar vários caras. É legal agredir o namorado, gritar com ele, arranhar, dar tapa, beliscão. É legal mandar nudes. É legal fazer chantagem emocional com o marido. É legal trair, é legal mentir, é legal botar a culpa toda na TPM, inclusive.

É legal zoar travesti. É legal falar mal de lésbica. É legal rir de gays.

E por mais que você não ache essas coisas legais, nós costumamos achar tudo isso, no mínimo, aceitável, e tem uma frase que ouvi em um vídeo de uma missionária que resume essas coisas muito bem:

“A heterossexualidade encobre uma multidão de pecados.”

Isso é tão triste quanto verdade.

Porque o cristão heterossexual também reconhece que é pecador, mas geralmente ele acha que ainda tem algo de bom nele: a heterossexualidade. Mas é difícil entender que até a heterossexualidade não presta quando todos os seus desejos também estão corrompidos e pervertidos pelo pecado.

De que adianta ser homem e gostar de mulher, mas pegar uma mina só por pegar? Ou de que adianta ser mulher e gostar de homem, mas namorar só por carência ou por comodidade? De que adianta ser homem e gostar de mulher, mas torcer o pescoço pra ver o bumbum de qualquer moça que passa? Ou de que adianta ser mulher e gostar de homem, mas ficar de papinho com outros caras que não são seu namorado ou marido? De que adianta ser hétero e viver na pornografia, na lascívia, na luxúria, na safadeza?

A heterossexualidade não é nenhuma garantia de uma vida livre de impureza e imoralidade sexual. Nós coamos o mosquito e engolimos 3 hipopótamos por dia. E como é difícil apontar o dedo pra si mesmo, não?

Alguns dos meus amigos cristãos mais fieis a Deus são homossexuais. E eu vejo neles uma coisa que já ouvi falar em outros lugares. Os homoafetivos que se convertem tendem a entender uma coisa que os héteros às vezes demoram pra sacar: você está morto e não tem nada aí que preste. Nada.

E a verdade é que Deus não quer que você entregue a sua vida pra ele, porque morto nem vida tem. Você vai entregar o que pra Deus? Mas Deus sim tem algo pra entregar pra você. E ele quer colocar a vida dele em você.

 

• UMA VIDA NOVA E UMA IDENTIDADE NOVA

Se você é cristão, quero que você pare um pouco agora e se lembre de quem você era antes de conhecer a Deus de verdade. O que você pensava sobre o pecado, o que você pensava sobre a justiça divina.

Quando Deus colocou a vida dele na gente, as coisas começaram a mudar. Em algumas pessoas, foi rapidão, em outras mais devagar, mas em nenhuma foi tudo de uma vez. Isso porque, aos poucos, a pessoa que passa a amar a Deus começa a se tornar parecida com o Filho dele.

Paulo fala disso em Romanos 8:29-30:

“Porque aqueles que já tinham sido escolhidos por Deus ele também separou a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho. Ele fez isso para que o Filho fosse o primeiro entre muitos irmãos. Assim Deus chamou os que havia separado. Não somente os chamou, mas também os aceitou; e não somente os aceitou, mas também repartiu a sua glória com eles.”

O mesmo Deus, que estabelece o que é e o que não é pecado, olha pra nós com amor. Esse mesmo Deus nos escolhe, sabe-se lá porquê. E ele nos chama. E quando nos chama, ele nos aceita. E não nos aceita pelo o que somos, mas porque ele nos adota como filhos dele. E assim, ele reparte da sua glória conosco, nos tornando pouco a pouco mais parecidos com Cristo. E meu, como isso é louco! Mas não para por aí.

Paulo então faz uma pergunta e já a responde no versículo 31:

“Diante de tudo isso, o que mais podemos dizer? Se Deus está do nosso lado, quem poderá nos vencer? Ninguém!

Se Deus é por nós, pecadores, rebeldes, mas ainda aceitos por esse Deus de amor, quem será contra nós? E eu pergunto para vocês: se Deus é pelos homossexuais, quem será contra eles?

Se Deus é pelos mentirosos, quem será contra eles? Se Deus é pelos avarentos, se Deus é pelos gulosos, se Deus é pelos maconheiros, quem será contra eles?

Deus é por nós não porque somos homossexuais, mentirosos, avarentos, idólatras, nem nada disso. Deus também não é por nós sermos heterossexuais! Deus é por nós porque ele enxerga uma nova identidade diferente desta que geralmente nos define.

Lembra aquele texto de 1 Coríntios 6:9-10? Esse é o texto que usamos pra mandar os gays pro Inferno. É muito normal ler ele dando ênfase apenas para os homossexuais, mas, além de ignorar os outros pecados, nós esquecemos de ler também a continuação no versículo 11, dando ênfase às coisas certas:

1ª Coríntios 6:9-11:

“Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus. Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado, separados para pertencer a Deus e aceitos por ele por meio do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus.”

Se você não se encaixa nesta lista que Paulo coloca, fique tranquilo: a Bíblia tem mais um monte de listas dessas. Mas tanto faz, porque mesmo que você fosse assim, você foi lavado do pecado, você foi santificado/separado para pertencer a Deus, você foi aceito por ele, e isso por meio do sacrifício de Jesus e pelo trabalho do Espírito Santo no seu coração! Olha que coisa doida, meu amigo!

 

Mas a gente ainda vive neste planeta caído, e por aqui o Pecado é cruel. Por aqui, o Pecado te define. E talvez ele tenha te definido desde seu nascimento.

Talvez Lady Gaga esteja certa, e gays nasçam gays mesmo. Talvez sim.

Assim como, talvez mentirosos nasçam mentirosos. Talvez violentos nasçam violentos, assim como os ladrões, os tarados, os manipuladores, os idólatras. Todos nós nascemos pecadores, mas em cada um o resultado da queda do homem puxa para um lado diferente. Todos nós temos cravada no nosso interior uma inclinação diferente da carne, dos desejos que nos afastam de conhecer e experimentar este Deus de amor. Cada um perverte à sua maneira a criação perfeita de Deus, e cada um coloca amor nas coisas erradas.

E por isso cada um, errando em coisas diferentes, merece ir para o mesmo Inferno, para morrer eternamente separado de Deus. De quem mata à quem mente. De quem estupra à quem idolatra. De quem se relaciona com uma pessoa do mesmo sexo à quem dorme no sofá. Todos pecaram e merecem ir pro Inferno, lembra?

Mas quando o Espírito Santo de Deus entra no nosso coração, e o sacrifício de Cristo toma o nosso lugar na condenação, e o sangue dele lava os nossos pecados, aí nós recebemos uma nova identidade. Não somos mais definidos como idólatras, nem mentirosos, nem bêbados, nem drogados, nem tarados, nem vagabundos, nem adúlteros, nem ladrões, nem imorais, nem homossexuais. Não!

Nós agora somos os escolhidos, os resgatados, os comprados pelo preço mais alto do Universo. Nós somos os libertos, os que foram lavados de todo esse pecado que nos definia, e esse pecado já não tem mais domínio sobre nós!

Então nós começamos a ser trabalhados diariamente para nos tornarmos cada dia mais parecidos com Jesus, o mesmo Jesus que pega nossa velha identidade com o nome do nosso pecado estampado e a rasga. E esse Jesus nos entrega uma nova identidade com apenas três palavras escritas: “Filho de Deus”.

Mentiroso? Não, Filho de Deus. Tarado? Não, Filho de Deus. Assassino? Não, Filho de Deus. Pedófilo, Estuprador, Agiota, Corrupto? Não, Filho de Deus. Homossexual? Não, Filho de Deus. Corintiano? Vixi… ok, Filho de Deus, vai.

 

• A IGREJA PRECISA DE CURA

Somos Filhos de Deus agora, mas nós éramos mortos. Agora temos vida, mas Deus não quer apenas dar vida, ele quer pegar esta vida e nos tornar santos. E é papel da igreja entender que a santificação é um processo, e não acontece da noite do dia.

Tenho amigos cristãos que são homossexuais e, mesmo tendo se afastado das práticas, lutam contra os desejos homossexuais todos os dias, e talvez vão lutar até o último dia de vida. E essa luta contra o pecado é a mesma que outros cristãos heterossexuais estão travando agora, lutando contra o adultério, contra a pornografia, contra o sexo sem compromisso e outras coisas. Mas, apesar dos nossos desejos, temos um Deus que está transformando todas as coisas dentro de cada um de nós.

Nós nos acostumamos com vários pecadores dentro das igrejas, mas ainda temos medo de lidar com os homossexuais. Nós temos medo de falar a verdade da Bíblia, temos medo de lidar com eles nas reuniões, temos medo de quando tivermos algum deles no meio de nós.

Mas, cara, abra os olhos: eles já estão na igreja. Sempre estiveram. E se eles não ouvirem o que a Bíblia tem a falar sobre isso, vão acreditar no discurso que o mundo tem a falar. E, mais do que isso, se eles não forem amados pela igreja, o mundo já está de braços abertos para recebê-los.

Por isso, não é através de leis, de brigas judiciais, de cura-gay e muito menos através do nosso preconceito que eles vão conhecer o amor de Deus, do Deus que é capaz de transformar a morte deles em vida, como transformou a nossa.

É apenas através do evangelho, da boa nova, da boa notícia de que Deus, independente de quem a pessoa é, pela sua graça a escolhe, a chama, a lava e lhe dá uma nova identidade que tem poder para mudar tudo. E essa identidade é a de Filho de Deus.

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Quanto tempo até não ter mais tempo.

Estes dias atrás comecei a esboçar um texto para postar no blog. Estava chegando meu aniversário e achei que seria legal escrever algo sobre como o tempo passa e a gente não percebe. Semana passada fiz aniversário e aquele esboço também.

Sim, passou um ano e eu nem percebi! Aliás, faz mais de meio ano que não consigo terminar um texto. É muita correria de trabalho, de projetos, de igreja, de saúde, de compromissos, aniversários e velórios, e o tempo vai passando. Pra piorar minha situação, toda hora sai uma série nova e o canto das sereias que habitam meu sofá me faz naufragar ali na frente da TV todo finzinho de noite.

O tempo passa, o tempo voa e as novas gerações já nem sabem mais o que é a Poupança Bamenrindus. Quando perguntam minha idade eu tenho que fazer contas, e de repente chega uma carta em casa me dizendo que já é hora de renovar a carteira de motorista. Pela terceira vez!

Eu sinceramente não sei o que acontece: quando somos crianças parece que um ano demora, sei lá, um ano inteiro pra passar. Porém, mais pra frente na vida temos a impressão de que tem Copa do Mundo e eleições mês sim, mês não. Não sei se é o excesso de atividades e preocupação que nos faz perder a capacidade de ver o tempo passar, ou se talvez tem algum tipo de neurotransmissor da percepção temporal que evapora da cabeça um pouquinho a cada ano, mas só sei que nunca percebi antes como o Natal chega tão rápido depois do Carnaval.

Com essas coisas todas na cabeça, outro dia tive um sonho meio doido que tem a ver com isso tudo. Sonhei que estava apressado com alguma coisa qualquer e encontrei um amigo que tinha descoberto uma jeito de ir para uma dimensão paralela. Ele me explicou que tínhamos que ir num beco e fazer um exercício de meditação por alguns segundos e assim iríamos parar nesta outra realidade. Apesar de todo meu ceticismo, resolvi tentar: fui pro tal beco, me sentei tipo indiozinho (só que flutuando, tipo Dhalsim), meditei por alguns segundos e quando abri meus olhos não entendi nada: tava tudo igual, só que diferente.

Parecia que eu não tinha saído do lugar, mas naquela realidade não tinha mais ninguém apressado e nem correndo. As coisas eram as mesmas, só que maiores. As pessoas eram felizes e tranquilas, o clima era mais gostoso e alguém veio me explicar que ali a vida era assim porque as dimensões eram maiores: o metro era maior que um metro e a hora era mais longa que uma hora. Mano do céu: minha mente explodiu na piração nerd do continuum espaço-tempo e eu nem sabia o que pensar! Mas ao mesmo tempo em que desejava ficar ali de boas pra sempre, algo me inquietava e me fazia entender que não era hora de ficar ali ainda: eu precisava voltar pra minha realidade porque tinha algo de muito importante pra fazer no meio de toda correria e pressa da onde tinha acabado de sair. Eu só não sabia o quê.

Acordei tão frustrado quanto acordava na infância depois de sonhar que tinha ganhado fitas novas de Mega Drive. Eu queria voltar para aquela realidade, eu queria viver sem correria, eu tava muito puto com esse tal de tempo. O tempo era meu inimigo número 1.

O tempo nos afasta. Ele vem de mansinho e leva embora a intimidade que temos com nossos melhores amigos. Ele corta as horas que queríamos usar pra matar a saudade de alguém e corre pra nos tirar o prazer de ficar perto de quem a gente ama.

O tempo nos oprime. É o despertador tocando e você mal dormiu. É o microondas demorando e já se passou metade do horário de almoço. É a pressão do prazo do projeto. É o boleto que você acabou de pagar e que o carteiro já trouxe a parcela seguinte no mesmo dia.

O tempo nos arrasta. Os anos passam e você não consegue acompanhar. As memórias evaporam, você se atrasa, o mês vira e parece que a Terra tá girando numa velocidade incompatível com tudo que você entende por relógio.

Mas apesar de toda revolta contra o tempo, temos que admitir: o tempo é inocente. O problema verdadeiro está na nossa relação com uma coisa chamada “vida”.

A frustração que temos ao não conseguir acompanhar a dinâmica da vida depois da infância nos faz terceirizar a culpa a uma mera dimensão do Universo. O tempo não é culpado pela nossa falta de foco no que importa, nem com nossa incapacidade de dizer não quando necessário. O tempo não é culpado por nossa bagunça e nem por nosso orgulho. O tempo não é culpado por nossa rebeldia e muito menos pelo nosso egoísmo.

O tempo não é o monstro que pensamos. O tempo é apenas limitado. E aprender a contar como são poucos os nossos dias é fundamental pra percebermos que só se vence o tempo fora dele.

É preciso aprender a enxergar a vida além do tempo.

É preciso aprender a olhar para o dinheiro e saber que ele é passageiro, e que não se leva um tostão daqui. É preciso aprender a enxergar que o trabalho é passageiro, e que toda gota de suor não importa do lado de lá. É preciso aprender a ver que o prazer é passageiro, e que não faz sentido viver em função dele. Ao mesmo tempo é preciso aprender a olhar para a dor saber que ela também é passageira e um dia acaba. É preciso saber que os bens são passageiros, e também a cultura, e a arte e a política. Nem mesmo o Universo é pra sempre.

Diante disso é preciso aprender a tomar atitudes que sejam eternas. É preciso aprender a cuidar do que se leva para além do tempo. É preciso usar nosso tempo para despertar os outros de que há algo maior que nossa frágil realidade temporal.

É preciso saber que existe algo além do presente, mas que é afetado pelas atitudes que tomamos agora.

Não sei se dá pra flutuar num beco em posição de indiozinho e ir parar num universo paralelo, mas sei que experimentar um segundo de uma realidade eterna é mais que o suficiente para se convencer de que a paz que buscamos pra vida só pode ser encontrada fora do tempo.

Que nós aprendamos que, acima de tudo, o tempo é passageiro, mas a vida não precisa ser.

[Áudio] Relacionamento, infidelidade e amor.

Olás!

Eu sei, tô sumido. E nem tenho uma desculpa boa dessa vez. Tenho uns 50 rascunhos de textos pela metade e não tô conseguindo parar para concluir eles…

Mas quero compartilhar algo meio diferente hoje (só pra falar que tô menos sumido): esses dias atrás, pela primeira vez, eu preguei (ou dei uma palestra, sermão, chame como lhe for menos estranho) na minha igreja. Daí tenho a gravação do áudio aqui para vocês ouvirem.

Aproveitei o Dia dos Namorados para falar um pouco sobre relacionamentos e essas coisas doidas todas.

Pra quem não me conhece, sim, eu falo rápido e embolado. À partir de agora você vai ler meus textos imaginando um locutor de rodeio com paçoca na boca.

Grande abraço!

(ps: eu tô apanhando desse plugin do MixCloud… Mas vai assim mesmo.)

Qual é a boa pra 2017?

Vai ano, vem ano e eu continuo com uma dúvida que me persegue desde a minha infância: que raios o Claudinho e Buchecha queriam dizer quando cantavam “controlo o calendário sem utilizar as mãos”? Sempre imaginei eles mexendo com o pé naquele calendário de parede horroroso que a gente ganha no açougue, ou talvez eles tivessem poderes de telecinese, ou talvez eles simplesmente conseguiram decorar qual mês tem 30 dias e qual tem 31 sem ter que contar nos ossinhos e vãos dos dedos. Vai saber! Quem sabe eles apenas escreveram isso em meio a um “delírio de jogar futebol”.

Mas outra coisa que me incomoda há um tempo é que chega nessa época e eu começo a ver pelas ruas os carros com um adesivo de uma igreja escrito “2017 será o melhor ano da sua vida”. Todo ano é o mesmo adesivo, mudando apenas a data. Mas poxa, será que quem colocou o adesivo nesse último ano realmente acredita nisso? 2016 não foi dos anos mais fáceis não.

Esse ano tivemos tanta coisa ruim acontecendo ao mesmo tempo que eu sinto muita pena dos jornalistas que trabalharam na retrospectiva. Eles irão precisar de uns 10 anos de terapia depois de relembrar toda a maluquice de crise financeira, brigas políticas, desastres, guerras e tudo mais que  nos tirou o sono e a paz nessa última volta ao redor do Sol. E não bastando os 365 dias de desgraça, esse ano ainda era bissexto!

O tempo todo fomos bombardeados por más notícias: toda manhã eu ligava a TV no jornal e não saía pro trabalho antes de completar meu bingo mental com as palavras “Crise”, “Petrobras”, “Cunha”, “Lula”, “Lava-Jato”, “Impeachment” e “Desemprego”; chegava na empresa e o assunto era o estupro coletivo da menina no Rio, avião da Chapecoense caindo na Colômbia e mais um ataque terrorista na Europa; voltava pra casa cansado de tanta notícia ruim e descobria que os grupos no Whatsapp haviam se tornado os obituários oficiais de gente famosa: todo dia era a notícia de mais um artista que partia dessa vida.

Quando foi mesmo que o mundo virou um grande especial do Cidade Alerta?

Sempre concordei com a frase que diz que “todo otimista é um pessimista mal informado”, mas acho que em algum momento de nossa busca por uma vida sem alienação acabamos por nos embrenhar no outro extremo da informação: nos alienamos do bem.

Desde que Adão e Eva fizeram o favor de contaminar tudo com a maldade o mundo está caído e descendo ladeira abaixo, e não é surpresa nenhuma que tanta coisa ruim tem acontecido por aqui: assistimos indignados a absurda guerra na Síria, mas vivemos brigando uns com os outros por motivos extremamente banais; lamentamos a separação de casais famosos, mas traímos e incentivamos todo tipo de safadeza em prol de uma liberdade que apenas escraviza; acusamos nossos políticos de corrupção, mas a honestidade não tem dado muito as caras por aqui ultimamente; denunciamos a hipocrisia nos púlpitos, mas causamos divisão até mesmo dentro de casa por não sabermos lidar com nosso orgulho.

É muito ódio, é muita safadeza, é muita irresponsabilidade, é muita ganância, é muito ciúmes, e o pior de tudo: é muito natural.

Nada disso deve nos surpreender porque sabemos bem que essa é a natureza humana, caída, perdida e devastada por ela mesma. Tudo que vemos, ouvimos e conversamos nos afeta e nos leva a desesperar ainda mais. Mas não precisa ser assim: saibamos enxergar os sinais do que nos traz esperança.

Neste ano comemoramos quando cientistas e inventores permitiram que daltônicos enxergassem toda a beleza de flores pela primeira vez e, além de vários outros avanços contra o câncer, diabetes e Mal de Alzheimer, vimos pessoas que sofrem com Mal de Parkinson conseguindo comer sozinhas usando fantásticas colheres adaptadas que não tremem. Vimos policiais abandonarem seus postos para socorrer cachorro que estava passando mal e ajudar idoso a atravessar a rua. Vibramos com nossos atletas superando toda dificuldade e ceticismo e trazendo medalhas, recordes e orgulho para nosso país tão sofrido. Nos emocionamos com médicos permitindo um cachorro visitar um paciente terminal, nos inspiramos com igrejas construindo casas para os membros mais pobres, nos alegramos com brasileiros concorrendo a Nobel, Oscar e até prêmio de melhor jogador de video game do mundo. E tem muito mais que não aparece nos jornais: teve gente fazendo as pazes depois de anos sem se falar; teve gente alimentando quem não tinha o que comer. Teve cachorro rolando na grama. Teve festa de aniversário surpresa. Teve mensagem de madrugada falando que vai ficar tudo bem. Teve criança nascendo. Teve risada. Teve música boa. Teve comida boa. Teve piada ruim. Teve amor onde nunca se imaginou.

Até mesmo em meio à desgraça e à dor, se soubermos procurar, enxergaremos coisas boas. Neste ano tivemos a trágica queda do avião vitimando a equipe da Chapecoense, além de jornalistas e tripulação, e em meio à lamentação pelas falhas humanas e pelos sonhos despedaçados, encontramos um povo que não tinha a mínima obrigação de se comover conosco, mas resolveu nos dar um abraço maior que a tragédia que nos acometeu.

Nós focamos tanto no que há de mau no mundo e perguntamos onde Deus está quando a realidade nos bate com os dois pés no peito, mas é porque somos orgulhosos demais para assumir que a culpa, enquanto humanidade, é sempre nossa. Basta ceder um pouco desse nosso pedestal para que possamos reconhecer que Deus está, desde sempre, trabalhando ativamente pra nos trazer esperança apesar das consequências que nossas más escolhas produzem. Basta abrir os olhos para enxergar o quanto há de bom no mundo apesar de nossa natureza caída. E melhor que isso: quão doce é a esperança ao saber que estes são apenas pequenos sinais da paz eterna que nos foi prometida.

Não sei se o próximo ano será o melhor da sua vida e duvido que usar um adesivo no carro dizendo isto vá facilitar alguma coisa, mas torço para que nos próximos 365 dias saibamos ser gratos: que a gratidão nos encha de esperança ao crescermos um pouco mais nas piores dificuldades, e que a mesma gratidão nos inunde pela graça de receber o que é bom sem que mereçamos.

Que a esperança de um ano melhor não se baseie nesta nossa humanidade caída, mas nos sinais de que há alguém trabalhando para redimir o que parecia não ter mais conserto.

Neymar, nem eu, nem você.

Milhares de pessoas em pé ao redor de um campo. Bilhões de pessoas ao redor do mundo sentadas na beiradinha do sofá e estrangulando a almofada. Dez companheiros ajoelhados. Onze rivais secando. Quarenta e quatro metros de caminhada. Ele pegou a bola, deu um beijo no seu primeiro grande amor e a repousou a onze metros do abismo entre o sucesso e a maldição. Um som de apito. Todo mundo quieto e eu afirmei “Eu não queria ser o Neymar hoje”.

Como 99% dos brasileirinhos, eu também sonhei ostentar a camisa 10 e a braçadeira de capitão da Seleção. Eu vi Raí, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká carregarem o peso desse número nas costas, eu vi Dunga e Cafu ensinarem que a liderança vai muito além de um pano azul enrolado no braço direito (e vi Thiago Silva mostrando que essa responsabilidade não é pra qualquer um). Eu vi o futebol brasileiro ser motivo de piada em vários Jogos Olímpicos. Eu vi o 7×1 dois anos atrás. E agora eu e todo mundo víamos em Neymar a esperança do único título que faltava em nossa prateleira futebolística.

Ele já tinha feito um golaço, já tinha dado vários passes geniais, já tinha quase feito outro gol, já tinha batido no peito e encorajado os outros jogadores antes dos pênaltis e ficou com a cobrança mais difícil de todas. Qualquer coisa menor que a perfeição e tudo que ele havia feito não valeria de nada. Nem o Neymar queria ser o Neymar naquela hora.

Mas ele respirou, correu, bateu e o Planeta Terra deu uma chacoalhada com tanta gente pulando ao mesmo tempo. Eu dei um pulo, gritei “AEEE BRASIL!”, e já aproveitei pra falar tchau e correr porque estava 15 minutos atrasado pra dar um estudo sobre soteriologia na igreja (parece chato, e é mesmo, mas a gente fez ficar legal lá).

Enquanto dirigia o carro, não conseguia tirar da cabeça a imagem do Neymar comemorando o ouro sem marra nenhuma, agradecendo a Deus ao mesmo tempo em que soluçava de tanto chorar com a cara enfiada na grama. Não via a hora de voltar pra casa e terminar de assistir a cerimônia de premiação com todos aqueles caras que deram um pouco de alegria pra um povo tão sofrido como o nosso. Cheguei em casa, abri o celular e vi uma bela foto do Neymar com uma faixa escrito “100% Jesus” na testa e a legenda “Neymar diz ‘Vocês vão ter que me engolir’, parte pra cima de torcedor e o manda tomar naquele lugar”. Eita, Neymar…

Ao invés dos melhores momentos com dribles, passes e aquela cobrança de falta que até Rogério Ceni aplaudiu de pé, tudo que vi era o tamanho da incoerência desse rapaz que carrega Jesus na testa mas manda o próximo ir tomar lá. Os piores momentos dele, curiosamente, transformaram tudo que ele fez em nada mais que a obrigação. Eu não queria ser o Neymar mesmo.

Imagino como deve ser pesado ter vigilância 24 horas sobre sua vida. Imagino como deve ser conversar com seus colegas de trabalho tampando a boca porque vão fazer sua leitura labial mais tarde no Fantásico. Imagino como deve ser animador não conseguir dar um passo pra fora de casa sem tomar flash na cara. Imagino ter amigos que se importam mais com o que tenho do que comigo. Imagino muita oferta de sexo e nenhuma de amor. Imagino o Galvão Bueno me ligando Domingo de manhã. Imagino ter dinheiro suficiente pra me esquecer de Deus.

Imagino todos os meus pecados em destaque na capa do UOL.

Não estou defendendo o que o Neymar fez de errado, mas é muito fácil falar do pecado alheio quando ninguém sabe do nosso. É muito fácil apontar os erros dos outros, mas é bem complicado abrir nosso armário e deixar todo mundo ver o tanto de esqueletos que temos guardado durante nossa vida. Eu gosto de imaginar que no Juízo Final vai ter um enorme telão onde vai passar, humano por humano e pra toda a humanidade, tudo o que nós fizemos de errado por aqui. Imagina só passando todas as mentiras que nós contamos; imagina só passando um close de todas as vezes que olhamos pra bunda de alguém; imagina só passando todos os pensamentos de ódio que guardamos pra nós; imagina os históricos de internet que deletamos; imagina as brigas que tivemos; imagina a desobediência aos pais; imagina a indiferença com quem precisava; imagina a propina; imagina a avareza; imagina a sonegação; imagina a preguiça; imagina as vezes em que pensamos “vocês vão ter que me engolir”; imagina as vezes em que falamos “Deus te abençoe”, mas nosso coração gritava “Vai tomar no meio do…”.

Imagina se todo mundo soubesse como todo mundo é ruim.

O mesmo Jesus que Neymar amarrou na testa disse uma vez que é importante tirar a trave do próprio olho antes de querer enfiar o dedo no olho alheio pra mostrar que tem um cisco lá. O meu erro não anula o erro do outro, mas perceber que também erro me move a agir com amor quando vejo o outro errando também.

Cada um à sua maneira e segundo as suas fraquezas é atraído pro mal. Mais cego é aquele que só vê o mal no outro. E eu demorei muito pra aprender isso.

Minha vida inteira fui rotulado como menino 100% Jesus e por muito tempo eu tentei sustentar essa imagem, mas não existe super crente e eu passo bem longe disso. Me dá medo saber que muita gente me enxerga assim porque de certa maneira eu viro um ídolo, e daí pra virar um Judas sendo malhado em praça pública custa apenas um erro descoberto. E eu finjo muito bem, gente.

Pior que os erros que cometemos, é o erro de interpretação de texto quando lemos a Bíblia. Há muito, muito tempo atrás um tal de João Ferreira de Almeida, português gente boa, traduziu a Bíblia pro Português, e ele escolheu uma palavra bonita pra explicar o que temos que fazer quando virmos alguém fazendo merda: exortar. O problema é que todo mundo acha que exortação é sinônimo de bronca, chamar atenção. Mas não, procure aí no seu dicionário. Exortar significa animar. Simples assim.

Pra cada “não faça isso” da Bíblia, existe um “mas faça desse jeito que é bem melhor”. Nossa função não é a de apontar o dedo e levantar pedras pra condenar o erro dando bronca na pessoa, mas sim a de chegar no outro e falar “Ei, mano, assim dá merda. Vamos tentar desse outro jeito na próxima?”. Não tem nada mais eficiente pra parar de errar do que tentar acertar.

Nossa decepção com o erro do outro vem na mesma proporção que nossa expectativa. Mas o erro maior está em esperar algo de bom de gente que tem uma natureza tão corrupta e enganosa quanto a nossa. Esperar de um humano qualquer coisa além da natureza humana é idolatria.

E isso conta não só pro Neymar ou pra mim, mas pra você, pro pastor da igreja, pro padre, pra freira, pro faxineiro, pra empregada, pra sua mãe, pro professor, pro presidente e até pro seu vizinho ateu. Não existe gente perfeita, mas também não existe caso perdido. Somos todos barro, constantemente sendo moldados, mas teimosos em continuar rachando.

Que no dia do Telão Final, depois de toda a humanidade assistir os nossos piores momentos, Jesus delete esse arquivo e diga: você fez muita merda, mas vem cá que você é 100% meu.

Apaixone-se por alguém que não te merece

Ah, como eu queria viver noutros tempos! Nesses dias de touchscreens, selfies e Tinder todo o romantismo nos foge por entre os dedos. Bons tempos eram aqueles em que ficávamos a ver as moças passearem pelos bosques, cavalgávamos no fim da tarde pelas campinas ao encontro da amada para declamar todo o nosso amor com o joelho direito no chão, os braços abertos e as folhas de outono como testemunhas. E então, depois um pé na bunda, voltávamos pro feudo tocando no alaúde aquela música fossa do Frejat.

Seja no feudo ou na cidade, seja à cavalo ou espremido num metrô, se apaixonar de verdade é quase sempre aquele ato irracional que muitas vezes vai nos custar horas de terapia e algum tempo pra recuperar a dignidade perdida. Mesmo assim, todo dia me deparo com vários textos do tipo “Apaixone-se por uma pessoa que te faça rir”, ou “Namore alguém que ande de bicicleta”, ou ainda “Case-se com alguém que saiba o nome dos 151 Pokemons da primeira temporada” (mentira, eu só estou tentando me ajudar nessa). Todo mundo quer dar um pitaco de como você deve proceder pra encontrar a pessoa ideal pra passar o resto da vida junto. Todo mundo pinta a vida como um conto de fadas, mas ninguém conta que o príncipe só sabe falar de academia e a princesa tem mais bafo que o dragão do castelo. Não é por acaso que essas dicas geralmente não dão certo.

Em todos os meus fracassos amorosos alguém (geralmente minha mãe) sempre chegava em mim dizendo que foi melhor assim, que quando não é pra ser não acontece, que Deus está preparando alguém melhor pra mim, que “quem sabe sua prometida ainda nem nasceu” (tem coisa mais desesperadora do que ouvir isso com mais de 25 anos?). São sempre essas e outras coisas do tipo advindas de contos de fadas, livros de auto-ajuda baratos e forçação de barra bíblica.

Por muito tempo acreditei que um dia Deus gastou tempo planejando a moça A para o moço A, a moça B para o moço B e todo esse alfabeto pareado e destinado a se encontrar um dia para viverem felizes para sempre. Acreditava que toda panela tinha sua tampa e comecei a pensar que talvez eu fosse uma frigideira ou, sei lá, um rodinho de pia nessa história toda. Mas um dia vi minha mãe tampando a panela do feijão com um prato e parei pra perceber que a moça A namorava o moço A e depois o traiu com o moço B, que por sua vez era afim da moça C e usou essa situação toda pra flertar com a moça E e gerar ciúmes, o que revoltou o moço J, que foi fofocar tudo pro moço L, que era secretamente afim do moço R, que virou padre depois que a moça N morreu num acidente trágico antes do casamento deles. A teoria do caos e toda aquela baboseira do bater da asa de uma borboleta podem explicar bem todo esse tornado nos planos do destino depois que a moça A resolveu dar uma escapadinha.

Já me cansei de ouvir aquele papo de que “existe uma pessoa prometida” pra mim, mas a verdade é que ninguém nunca me prometeu nada disso. E duvido que tenham prometido pra você também (a não ser que vossa senhoria ainda esteja a viver no Brasil Colônia e já pagaste adiantado o dote ao pai da donzela).

Não bastando a falta de lógica nessa história de que as pessoas estão destinadas umas às outras, o grande problema reside no fato de que não tem como existir uma pessoa certa pra outra se todo mundo no mundo é errado. De Dilma Roussef à Megan Fox não existe gente perfeita neste mundo.

Portanto, desencane de buscar a pessoa certa pra você e comece a buscar uma pessoa errada, porque é o único tipo de pessoa que se vai encontrar por aí. Aprender a se perceber como uma pessoa cheia de defeitos é essencial para finalmente se enxergar no mesmo patamar de gente ruim que, surpresa, todo mundo está. E à partir daí se pode derrubar os preconceitos e expectativas irreais baseados em ideais de perfeição que deixariam até Platão enjoado. Se precisar, assista aquele filme de terror chamado O Amor é Cego.

Mas calma. Não estou falando que se deva abdicar de todos os gostos pessoais e coisas que se acha importante encontrar na outra pessoa, mas sim de que você não vai encontrar todos esses gostos pessoais e coisas que acha importante numa pessoa. Não no mundo real. Aceite isso e aprenda a lidar com o inesperado sem descambar para a frustração. Boa parte do que chamamos de defeito são apenas características que o outro vai carregar pra sempre, e depende exclusivamente de você se esforçar para ajustar um pouco suas expectativas para fazer caber a pessoa que se gosta integralmente nos seus sonhos.

No fim das contas, é muito bonita a ideia de nascer destinado para amar e ser amado por outra pessoa, mas a realidade é sempre mais bonita que a fantasia simplesmente por ser real.

Na vida real não existem príncipes cavalgando cavalos brancos para salvar donzelas em perigo, mas existe pegar dois ônibus pra conseguir passar uma hora ao lado da pessoa (e mais dois ônibus pra voltar pra casa). Na vida real não existem dragões acorrentados em castelos, mas existe parar tudo que se está fazendo para ouvir a outra pessoa chorar do outro lado do telefone por alguma coisa que deu errado no dia dela. Na vida real não tem bruxa malvada, mas tem aquele chefe que te segura até às 19h e te faz perder a reserva do restaurante bem no aniversário de namoro. Na vida real não tem sapo enfeitiçado, mas tem vício em foto de perereca. Na vida não real não tem torre de castelo, mas tem 12 andares sem elevador. Na vida real não tem maçã envenenada, não tem fada madrinha, não tem sapato de cristal. Na vida real tem câncer, tem boleto, tem verruga na testa, tem suor na mão, tem erro de português, tem tênis molhado, tem um filho de 5 anos, tem calvície hereditária, tem parente morrendo, tem diarréia no primeiro encontro, tem alface no meio do dente.

Na vida real não tem muita ficção.

E concorde comigo: é muito mais bonito se apaixonar com tudo isso acontecendo do que simplesmente porque o destino apresentou a pessoa prometida para você.

Há um tempo atrás uma das minhas amigas que mais me conhece na vida veio me falar que esperava muito que eu encontrasse alguma garota especial que me merecesse de verdade. Recebi aquilo respondendo um “Eita, tomara que não!”. Eu, que me conheço melhor que minha amiga, sei o quão ruim sou e o quão péssimo consigo ser se parar de me esforçar só um pouquinho. Além disso, não sou rico nem galã, e o que deveria compensar sendo legal e engraçado geralmente não sai como esperado. Então me parece um baita de um castigo alguém merecer uma pessoa cheia de defeitos como eu.

Porém, sabendo que no fundo ninguém realmente merece algo de bom, espero encontrar um dia alguém que me aceite. E espero estar pronto para aceitá-la também.

Acredito que tudo que existe e acontece de bom sobre a Terra nos ajuda a entender um pouco mais de quem Deus é e o que ele tem feito por aí, e no caso de se apaixonar isso fica ainda mais evidente para mim. Nosso coração é podre demais para aceitar o quão podres realmente somos, e toda essa presunção só evidencia o quanto estamos distantes de alcançar qualquer coisa de bom por nossa própria conta. Somos culpados do mau que somos e do mal fazemos, e não merecemos nada além da justa punição de morrermos solitários e separados do que quer que buscamos pra vida. Mas apesar dos defeitos, apesar dos erros, apesar de quem nós somos, o Amor se encarrega de absorver isso tudo e anular toda e qualquer rebarba que o impeça de nos aceitar ao seu lado onde não existe “até que a morte os separe”.

Não existe merecimento nenhum em ser amado. O nome disso é graça.

Se for pra se apaixonar, que não seja por quem te mereça.

Tenha paciência e deixe que o Amor faça o trabalho dele e una perfeitamente todas as coisas.

Se apaixone por graça, simplesmente.

Poderes mais ou menos trazem responsabilidades mais ou menos.

Sei que parece idiota, mas durante boa parte da minha adolescência eu torci pra que uma aranha radioativa me picasse. Eu lia aquelas histórias em quadrinho do Homem Aranha e também queria ser o menino magrelo e míope que sofria bullying (isso eu já era, na verdade) se transformando num cara com super poderes, que podia saltar de um prédio pro outro e disparar teia para salvar as donzelas indefesas de criminosos encapuzados. Eu sei, picada de aranha geralmente causa necrose nos membros, e no interior de São Paulo não existe tanto prédio assim pra se pendurar, mas, tirando a parte de usar uma roupa coladinha dessas numa região tropical, deve ser louco demais ter grandes poderes assim, mesmo que eles venham com toda essa baboseira de grandes responsabilidades.

Essa besteira de querer ser super herói na verdade começou mais cedo. Me lembro que quando criança fiz uma máscara azul pra usar com um colete azul de gosto duvidoso que minha mãe tinha me dado. Meu codinome era Netuno, e eu deixava tudo isso guardado dentro do guarda-roupa, daí entrava nele e saía fantasiado pra combater o crime imaginário do meu quarto. (Pensando agora, eu meio que literalmente saía do armário com outro nome e uma máscara combinando com um colete. Ok, isso tudo soa muito estranho agora…)

Mas enfim, cresci aprendendo que na vida não existem super heróis, mas sim toda aquela história bonita de que “existem é pessoas que fazem atos heróicos todos os dias, como os bombeiros, policiais, médicos e aquele cobrador de ônibus que te vê correndo feito um queniano e pede pro motorista segurar o busão mais um pouquinho”. E é mesmo, todos os dias vemos heróis ordinários que nos salvam do fogo, do assalto, da virose e do atraso no trabalho. Todos os dias se descobre mais um herói que salvou alguma criança em apuros, todo fim de campeonato tem o herói que salvou o time do rebaixamento, toda ano eleitoral tem o herói que vai nos salvar da corrupção e todo ano seguinte tem um herói que vai julgar o herói anterior por desvio de verbas públicas.

Nós procuramos heróis que nos salvem do crime, da tristeza, do tédio, da carreira, do chefe, da doença, da rotina. Nós procuramos heróis que nos salvem do tempo, da existência, da humanidade. Nós procuramos heróis que nos salvem de nós mesmos. E na primeira ação heróica que vislumbramos, nosso herói ordinário se torna um símbolo, e daí não fica muito distante o caminho pra transformá-lo num ídolo. E menor ainda é a distância entre o ídolo e a idolatria.

Idolatramos políticos que nos salvariam do comunismo, idolatramos ideologias que nos salvariam do consumismo, idolatramos empresários que nos salvariam do desemprego e idolatramos empresas que nos deixam desempregados. Idolatramos pessoas que nos salvariam da solidão. Idolatramos o casamento que nos salvaria da perdição. Idolatramos teologias que nos salvariam do compromisso real que nos convoca.

E, mais cedo ou mais tarde, todos os ídolos se mostram imperfeitos e se tornam decepção.

Me lembro de uma cena de 300 de Esparta quando o Rei Leônidas do abdômen trincado assume o máximo de sua fraqueza, tira sua armadura, solta seu escudo e, sob flechas inimigas, joga sua lança contra o andrógeno Imperador Xerxes, o grande herói e líder persa que se dizia um deus e era idolatrado por meio mundo. A lança viaja pelo ar e rasga um lado do rosto de Xerxes, que tenta de todas as maneiras esconder o sangue que revelava sua mera humanidade. Leônidas morre, mas mostra que seu adversário não passa de um ídolo de carne, osso e sangue como todos nós.

Criamos expectativas demais no que não é pra ser, e a mesma afobação que transforma heróis em ídolos se vale da decepção pra transforma-los em vilões.

Na contramão desta história, um certo Jesus entrou na capital de seu país aos gritos de “Salva-nos”. A galera viu que ele fazia umas coisas inexplicavelmente doidas, arrastava multidões e falava como um rei poderoso. Era o herói que esperavam há tempos pra salvá-los do pesado domínio romano, era o rei que todos ansiavam pra por fim a uma era de abusos e sofrimento, era o messias prometido que traria estabilidade e grandeza à Israel. Idolatraram o próprio Jesus, exaltaram o que ele nunca clamou ser, e aos gritos de “Crucifica-o”, mataram a fraude de um herói que não salvou nem a si mesmo.

Mas orgulhoso de sua morte, ele não escondeu seu sangue e nem reagiu, pois sabia que a salvação pela qual ele veio não se conquista por heroísmo e espada, mas sim por entrega e amor.

Nosso desejo por salvação não encontra nada além de frustração quando procuramos por heróis que nos salvem. E pior: nosso desejo por salvação geralmente não sabe ao certo nem do que quer ser salvo. Estamos danados no sentido não baiano da palavra, condenados, irremediavelmente perdidos.

Estamos à deriva no meio do oceano da perdição humana e não faz sentido pensar que alguém de dentro do barco tenha capacidade pra nos salvar dali.

Não faz sentido procurar no meio dos imundos quem nos salve da sujeira. Não faz sentido procurar na humanidade quem nos salve de ser humanos.

Não faz sentido procurar um herói quando se precisa de um Salvador.

A Santa Ifigênia, o Waze e o Cosmos.

“Você pega reto aqui na avenida, passou um, dois, três faróis, vira à esquerda, mas não na esquerda mais fechada da bifurcação, na outra, depois segue reto, vai passar três Assembléias de Deus, na quarta você entra na rua do lado direito, pega a faixa da esquerda, sobe na terceira rua à esquerda, depois direita, faz o retorno no balão, passou a faixa de pedestres apagada você volta pelo viaduto na faixa do meio, pega no farol à esquerda, sobe a quinta rua à direita e quando vir uma casa com portão preto e um vira-lata de poodle com labrador caramelo você anda mais uns duzentos metros e pergunta num posto ali do outro lado da rua que eles te ajudam. Não tem como errar.”

Tem como errar sim.

Invejo as pessoas que tem senso de direção e entendem essas coordenadas que os frentistas dão quando a gente tá perdido e para pra pedir informação. Eu me perco tanto dirigindo em lugares desconhecidos (e em conhecidos também, não vou mentir) que costumo dividir minha história motorística em AW e DW: Antes do Waze e Depois do Waze. É tão reconfortante você não fazer a mínima ideia de como chegar num lugar e ouvir “Vire à direita em 50 metros. Depois: na rotatória, pegue a terceira saída.” (e espero que você também tenha lido essa parte dando as pausinhas na frase igual à moça do GPS).

Essa história de ser perdido não começou aos 18 anos com minha carteira de motorista. Eu era aquela criança lesada que se perdia da mãe no supermercado, que ia no banheiro do shopping e depois não sabia voltar, e que na praia passava 10 minutos no mar e meia hora procurando o guarda-sol da família toda vez que ia dar um mergulho. Geralmente nesses momentos de perdição eu acabava encontrando o caminho de volta sem grandes problemas, mas teve uma vez em especial que eu realmente entrei em desespero.

Estava em São Paulo, na região da Santa Ifigênia (maior centro de muamba eletrônica do Brasil) e meu pai, crente de que com uns 12 anos eu já tinha responsabilidade na vida, me mandou ir ao carro buscar alguma coisa pra ele: “Lembra onde está o carro, né? Segunda rua à direita, depois anda 3 quarteirões. Não tem como errar.”. Tinha como errar sim.

Não faço a mínima ideia de quantas ruas e quarteirões andei, mas eu, menino nerd do interior, estava tão vislumbrado com aquele tanto de lojas de computadores, e videogames, e bancas de CDs piratas, e controles de Playstation, e fita de Gameboy, e chaveiro de Pokebola e “… eita. Onde eu tô?”. Andei mais ou pouco procurando o carro, mas lá tinha um monte de carros. Voltei procurando a rua da loja onde meu pai estava, mas lá tinha um monte de ruas com um monte de lojas. E um monte de gente. E um monte de mendigos. E, por mais idiota que soe, eu realmente pensei que não ia mais encontrar meu pai, que minha mãe ia parar na Praça da Sé com uma foto minha e eu ia virar morador de rua porque nasci sem noção espacial.

Não sei por quanto tempo fiquei perdido procurando meu pai, mas mais tarde ele me encontrou no meio daquele monte de gente, me abraçou e eu chorei de alívio feito uma criança com metade da minha idade.

Se perder não é legal.

Pela longa estrada da vida onde o poeta nos diz que a gente vai correndo e realmente não pode parar, não é incomum se perder e se perceber muito longe da onde realmente deveria estar. Seja a paisagem nos distraindo, a preocupação com quem está no retrovisor ou apenas alguém apontando o caminho errado mesmo, sempre tendemos a passar reto naquele ponto em que a vida precisa de uma mudança de direção. Às vezes é a carreira profissional que faz se perder da família. Às vezes é a falsa alegria dos comerciais que faz se perder de uma alegria verdadeira e gratuita. Às vezes é o medo disfarçado de segurança que faz se perder de novas experiências. Às vezes é a internet que faz se perder do mundo real. Às vezes é a inveja, é a bagunça, é a vergonha, a procrastinação, o remorso, o passado, o trauma, o conformismo, indiferença, maldade, falta de fé.

São essas coisas e outras tantas que nos desviam para a larga estrada da zona de conforto e nos afastam cada vez mais do que realmente importa.

Nos perdemos na verdade porque nosso piloto automático está configurado para um grande e absurdo plano de fuga.

Num dia desses, depois de tentar fugir deliberadamente de coisas que realmente importam pra mim, estávamos montando uma fogueira num acampamento e procurando algum pontinho azul no céu que nos desse esperança de uma noite sem chuva. A previsão do tempo já havia alertado e olhar pra cima apenas confirmou: só se via 50 tons de cinza nublado quase chovendo. Exercitei minha falta de fé cobrindo a fogueira com uma lona, fomos jantar e quando voltamos pra acender a fogueira nos surpreendemos pois, sem cair um pingo, já não se via uma única nuvem no céu. Enquanto a fogueira queimava, parei pra olhar pro alto e realmente não me lembro de ter visto tantas estrelas assim na vida. Talvez eu nunca tivesse reparado o quão grande isso tudo é. Talvez eu nunca tivesse me achado tão pequeno assim. Como de costume, comecei a viajar.

O Universo é realmente algo enorme e se a gente acha que a Terra é grande é porque a gente é realmente muito minúsculo mesmo. Deste cantinho da nossa galáxia eu estava contemplando um pequeno pedaço de um todo tão grande, mas tão grande que me fez me sentir menor que o nada.

E como é fácil se perder na grandiosidade do Universo sendo tão insignificante e frívolo.

Naquela noite, reafirmei pra mim mesmo que sou pó, mas fui relembrado que eu, um nada perdido no espaço, sem capacidade alguma de voltar com minhas próprias pernas, estava de repente no exato lugar onde deveria estar, não porque acertei o caminho, mas porque fui encontrado e guiado até lá.

Do lado daquela fogueira, sob o vasto manto estelar que me cobria, eu, que sou um cisco cósmico senti o Pai me abraçando e me aquecendo, como quem diz “Ei, olha como o Cosmos é lindo. Ei, você é parte disso tudo que eu criei.”.

Eu, um pontinho insignificante do Universo, de repente sou importante para alguém que é maior que o próprio Universo.

A verdade é que todos nós iniciamos esta curta viagem terrena já na contramão e nossa natureza nos faz querer fugir cada vez pra mais longe, até o ponto em que já não fazemos a mínima ideia de onde fomos parar.

Mas a boa notícia é que tanto faz como ou quanto você se perdeu. Nada disso importa.

Basta reconhecer estar perdido para finalmente ser encontrado.

Agridoce

Já passava de uma da madrugada. O filme tinha acabado de terminar, o pessoal começou a se levantar pra ir embora e eu comecei a pensar em como matar minha fome noturna. Tinha sobrado brigadeiro de colher que as meninas fizeram pra comer durante o filme, mas minha mãe tinha feito peixe frito na janta. Me bateu o dilema: Brigadeiro ou peixe? Doce ou salgado? No meio do embate moral que se formou dentro de mim, ouvi uma voz vindo de dentro que me disse: “Come tudo junto, Thales”.

A voz era o sono, eu sei, mas eu decidi segui-la e peguei um pedacinho do filé de merluza empanado, cobri com um pouco de brigadeiro e comi com a exata cara de nojo que você está fazendo agora. E me assustei, porque ficou bom. Sério. Peguei um pedaço maior, tentei de novo pra ver se não era alucinação, mas não, realmente tinha ficado muito bom. E quando digo bom, não me refiro a comer batatinha com Sundae do Mc Donalds (isso as pessoas fazem só pra chamar atenção), mas talvez, debaixo do olhar de desaprovação de quase todos ali, eu tivesse acabado de descobrir o Santo Graal da improbabilidade de gostos misturados.

Segundo minha enciclopédia mental de cultura inútil, o que a gente geralmente chama de gosto é na verdade o cheiro da comida. Existem apenas cinco gostos que nossas línguas são capazes de discernir: o ácido, o doce, o salgado, o amargo e o umami. Sim, existe um treco chamado “umami” que ninguém sabe realmente como é, mas que todo mundo concorda que é gostoso. O resto todo é apenas o cheiro da comida, e essa é a razão pela qual a comida fica sem gosto quando estamos gripados, ou porque tampamos o nariz quando vamos tomar aquele remédio com delicioso gosto de chão de hospital.

Mas fora toda a complexidade do que é gosto e do que é cheiro, o divertido mesmo é misturar coisas inesperadas na cozinha. Já fiz algumas boas experiências, como o frango grelhado com morango, que fica ótimo em um sanduíche com queijo, por exemplo; ou o filé de abacaxi temperado e assado à manteiga, que vai muito bem com omelete e champingnon; e uma vez coloquei pedaços de chocolate refogados ao alho no molho de tomate para acompanhar macarrão, e ficou realmente bom. É claro que algumas vezes fracassei, e te digo pra evitar colocar limão em qualquer vitamina com leite, não tentar comer Sucrilhos com Sprite e jamais jogar uma colher de Nescau na Coca-Cola.

O interessante dessas misturas é que a gente descobre que o doce não é o contrário do salgado e nem o ácido o inimigo do amargo, mas ambos os gostos podem coexistir fazendo festa na boca. Eu posso colocar sal na manga e experimentar o doce e salgado ao mesmo tempo, assim como posso colocar limão na rúcula e sentir o ácido e amargo juntos. Ou posso colocar sal na manga, a manga na rúcula e mergulhar tudo em suco de limão pra tentar descobrir finalmente o que é o umami, e ainda não vou descobrir o que é. Mas além dos gostos que sentimos na língua, as sensações que sentimos na vida também são assim.

Certa vez compartilhei algumas dessas experiências culinárias com um Chef de Cozinha de verdade e, obviamente, ele me disse que sou retardado e tinha fumado maconha pra experimentar essas coisas. Mal sabia ele como era lá em casa…

Meu pai era o mestre da nojeira na cozinha. Eu imagino que ele tinha algum problema no paladar ou olfato porque sempre comia comida azeda ou estragada sem perceber, mas além disso não era estranho entrar na cozinha e o encontrar colocando chuchu em cima de bolacha Passatempo, misturando jiló com doce de figo e mel, ou comendo pão com abobrinha, manga e amendoim. Não posso negar que depois de um tempo o estranho era vê-lo comer alguma normal. E também não posso negar o quanto ainda acho anormal ter que falar dele apenas no passado.

Há pouco tempo atrás eu tomei o café da manhã mais estranho da vida. Me lembro que bebi um suco de laranja, comi um Polenghinho e uma barrinha de cereal, mas por ter encontrado meu pai tragicamente já sem vida há algumas horas, senti apenas um amargo intenso em tudo que experimentei naquele dia. De repente comer tomate com gelatina ou qualquer outra mistura absurda que ele fazia parecia ter mais sentido do que tudo ao redor. O amargo da tristeza que eu sentia era tão forte que me impedia de perceber qualquer outra coisa. Mas aos poucos comecei a sentir algo estranho e improvável.

“É melhor ser alegre que ser triste”, já dizia a poesia do velho Vinicius, e aprendi assim minha vida inteira de que ou se sente alegria ou tristeza. Mas conforme o baque foi passando, eu percebia que, alheia à toda a tristeza que sentia naquele momento, havia ainda um sentimento destoante, uma estranha alegria latente dentro de mim. Apesar de todo o medo e insegurança que fazia os músculos do meu coração oscilar, meus músculos da face repuxavam estranhamente me colocando um sorriso improvável no rosto. Eu não entendia bem da onde vinha, mas não queria abrir mão daquela alegria estranha que vez ou outra se deixava sentir ali no meio de toda aquela bagunça.

Já ouvi gente dizer que a alegria é uma invenção moderna e que a busca por ela é uma jornada sem sentido. Por outro lado, não é incomum ouvirmos que precisamos fazer ou ter certas coisas para sentirmos alegria. Ligamos a alegria à realização profissional, aos relacionamentos amorosos, à saúde, ao dinheiro na conta do banco ou ao jogo do Corinthians (se perder, a gente fica alegre, é claro). Mas isso tudo não passa de distração, como uma sobremesa doce após o almoço. E não me entenda mal, distrações e sobremesas são sempre bem vindas. O problema é vincular sua alegria com coisas tão efêmeras e imperfeitas quanto dinheiro, romances ou o ataque do Timão. Se sua alegria é tão falha assim, que triste ela é!

A alegria verdadeira e de que precisamos geralmente passa despercebida o tempo todo. Alheia a todos os sabores amargos e doces que a vida nos oferece, separada de toda tristeza e distração que nos atinja, a alegria está ali escondida, insípida, inodora e incolor, dando liga a cada um dos sabores. A alegria que precisamos não dá cárie nos dentes, não faz subir nossa pressão arterial e não nos coloca uma careta engraçada no rosto. A alegria que precisamos não tem prazo de validade, não estraga fora da geladeira e não mancha roupa alguma.

A alegria que precisamos nos refresca a alma. A alegria que precisamos nos saceia a sede e nos permite experimentar o equilíbrio de tudo que a vida nos oferece. E mais que isso, a alegria que precisamos nos oferece vida.

O velho Vinicius de Morais uma vez disse também que “tristeza não tem fim, felicidade sim”. É realmente muito triste esse ponto de vista onde a tristeza não cumpre sua função de nos levar à reflexão e à uma consequente mudança de pensamento, mas ao contrário, nos escraviza e nos leva cada vez mais pra baixo, cada vez mais fundo.

Porém, é no fundo do poço que se encontra água limpa.

Não desejo isso a mais ninguém, mas chegar tão lá embaixo é uma das maneiras de se aprender esta verdade. Porém a boa notícia é que não é necessário ir tão fundo assim: a alegria verdadeira que precisamos nos é oferecida o tempo todo graciosamente e de graça. A alegria verdadeira não se vende em galões de 20 litros e não se acaba com má gestão da Sabesp. A alegria verdadeira não se seca com o calor e não se suja com nossa podridão. E o melhor de tudo: não importa o tamanho da nossa sede, beber dela uma vez já é o bastante pra saciar uma vida toda.

Os que tem sede, venham. Os que choram, bebam. É tudo de graça. É tudo graça.

Felizes os que choram, porque o choro acaba. Felizes os que choram, porque a alegria jorra pra eternidade.