Porque os homossexuais merecem ir para o inferno (junto com quem cochila no sofá).

(Este texto vai ser bastante diferentão do que eu geralmente posto aqui porque ele foi escrito originalmente como roteiro de uma palestra/pregação e depois adaptado como texto “pra ler” mesmo. Então você provavelmente vai se deparar com umas coisas diferentes e um texto um pouco mais longo. Mas lê aí, se quiser. Ou não também.)

Os últimos meses foram bastante tumultuados aqui no Brasil. É exército na favela, é crime, é briga política, é operação da Polícia Federal, mas se tem um assunto que bombou em tudo que é manchete, timeline e sofá da Fátima Bernardes, foi a homossexualidade. E esse é um assunto sobre o qual precisamos conversar – principalmente com os cristãos.

Só em Setembro de 2017 tivemos toda aquela polêmica envolvendo uma exposição de arte do Santander, cheia de obras (feias que dói) falando de homossexualidade e envolvendo o cristianismo. Tivemos também a polêmica de uma peça em que um transexual encena Jesus. E, por fim, tivemos a decisão de um juiz do DF que libera estudos e terapias psicológicas sobre reorientação sexual para homossexuais, que alguns estão dizendo ser a liberação da “Cura Gay”. No meio de tudo isso vimos aumentar ainda mais uma guerra que está rolando no Brasil entre defensores das causas LGBT e cristãos, principalmente evangélicos. Essa briga já rola faz tempo e envolve políticos, igrejas, partidos, artistas, redes de televisão e mais um monte de gente que tá se estapeando que nem doido por aí.

Mas, por mais que você tente ficar de fora dessa treta toda, ela uma hora chega até você: querendo ou não nós acabamos entrando nessa guerra, nem que seja por tabela. E se, assim como eu, você também é cristão, eu te digo que nós precisamos saber o que Deus pensa sobre isso tudo, o que ele tem revelado através daquele livrão bonito chamado de Bíblia, que é o que nos dá direção no meio dessa muvuca toda.

Pra basear nosso papo aqui, te sugiro abrir (ou ligar, se você for dos moderninho) sua Bíblia em Romanos 1 e ler os versículos de 18 a 32. Nestes 3 primeiros capítulos Paulo destrincha a questão do pecado e da culpa da humanidade, e vamos usar bastante essa ideia daqui pra frente.

Se você já leu, beleza, vamos seguir! (Se não, tranquilo também, eu compartilho de sua preguiça.)

 

• A HOMOSSEXUALIDADE COMO PECADO

Você provavelmente chegou até aqui por conta do título bizarro deste texto, mas antes que me processem ou me joguem tomates virtuais na cara, eu quero explicar dizendo o óbvio: os homossexuais, sejam eles gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, ou qualquer outra definição, merecem ir pro Inferno porque são pecadores. Sim, homossexuais são todos pecadores.

Por coincidência, também são pecadores todos os homens heterossexuais casados. Assim como são também as mulheres heterossexuais solteiras. Assim como são os jogadores de golf. Assim como são os Norte Coreanos. E os Filandeses. E os Marroquinos, porque não? Os Corinthianos, sem a menor dúvida.

Assim como também é pecador quem cochila no sofá. Assim como eu, assim como você.

E isso a Bíblia deixa bem clara em Romanos 3:23 e Romanos 6:23a, quando diz que “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus” e que “o salário (ou seja, aquilo que merecemos pelo nosso esforço) do pecado é a morte”, e morte eterna, já que na continuação do versículo ele fala sobre vida eterna.

Mas os cristãos, em grande parte, não se contentam com a condenação geral que paira sobre toda a humanidade, e resolvem perseguir ferozmente a galera homoafetiva. E por que isso?

É comum ver cristãos trocarem de calçada quando um casal de lésbicas vem no mesmo sentido, ou cobrir os olhos do filho quando um casal gay se beija. É comum ver cristãos brigando com todas as forças para impedir arte gay, filme gay, casamento gay, e tudo isso como se brigar fosse resolver alguma coisa.

Mas eu nunca vi alguém trocar de calçada quando vê um político corrupto vindo no mesmo sentido. Eu nunca vi um pai cobrir os olhos do filho em churrascaria quando tem um guloso se empanturrando de carne no rodízio. Nunca vi cristãos brigando pra impedir desmatamento, tráfico de drogas, divórcio e outras pautas que nós já aprendemos a conviver pacificamente até demais.

No versículo 16 de Romanos 1 Paulo fala que não se envergonha do evangelho. Mas dos evangélicos, vamos falar a verdade… de vez em quando bate aquela vergonha.

A verdade é que homossexualidade nos incomoda e, quando já não temos mais argumentos pra explicar nossa perseguição, usamos a Bíblia pra isso: não gosto da homossexualidade porque ela é pecado. E sim, a Bíblia diz que é mesmo, olha só o que está escrito em 1ª Coríntios 6:9-10:

“Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus.

E essa mesma afirmação é reforçada em outros livros da Bíblia, tanto do Velho Testamento, quanto do Novo Testamento. Hoje em dia, aliás, rola muita discussão a respeito destes textos também, porque muitos acreditam que as palavras usadas no grego para homossexuais, afeminados, sodomitas e coisas do tipo, na verdade falam de pessoas “devassas” ou “safadas”. Tem até um debate horroroso entre um youtuber e um pastor/deputado (que você sabe quem é) sobre isso, e dá uma baita vergonha alheia ver os dois discutindo sem base nenhuma essas coisas. A treta deles se desenrola sobre qual palavra hebraica Paulo usou na sua carta, que foi escrita em greg. Sim. Os dois mostram que manjam muito do assunto.

Mas fica  complicado pra nós, brasileiros do Século XXI sabermos ao certo do que Paulo falava, a não ser que você conheça algum grego que seja teólogo. Por coincidência, eu vejo um espécime destes todo Domingo, e perguntei pra ele outro dia: “Alexandros, o que que significa Malakoi e Arsenekoitai em grego?”. Ele, então me explicou toda a greguisse da coisa e reforçou que a melhor tradução é, de fato, homossexual passivo/efeminado e homossexual ativo/sodomita. Treta linguística resolvida.

No fim das contas, a real é que a Bíblia fala mesmo que a homossexualidade é pecado, e Deus tem o porque disso.

Pra explicar isso de maneira rápida e simples, vamos tentar resumir o que é o pecado:

Lá no Velho Testamento, em Isaías 59:2 tá falando o seguinte:

“Pois são os pecados de vocês que os separam do seu Deus, são as suas maldades que fazem com que ele se esconda de vocês e não atenda as suas orações.”

E em Romanos 1, Paulo fala o seguinte no verso 18:

“Do céu Deus revela a sua ira contra todos os pecados e todas as maldades das pessoas que, por meio das suas más ações, não deixam que os outros conheçam a verdade a respeito de Deus.”

Junta essas duas coisas com o seguinte: antes de Cristo existia uma enormidade de leis que Deus deixou pro seu povo seguir, mas que Jesus resumiu em duas coisas: Ame o seu Deus acima de todas as coisas e ame o seu próximo como a ti mesmo. Eu gosto de pensar nisso como “3 amores”: amor a Deus, amor ao próximo e amor próprio.

Pensando nessas coisas, de maneira ultra resumida, o pecado não é pecado simplesmente porque Deus não gosta e ponto final, mas o pecado é tudo aquilo que atrapalha o relacionamento consigo mesmo, o relacionamento com o outro e o relacionamento com Deus. O pecado é aquilo que faz mal para mim, aquilo que faz mal para o outro, aquilo que me separa de Deus e aquilo que eu faço que impede os outros de conhecerem a Deus.

Beleza, fera: bonita definição de pecado, mas o que que curtir pessoas do mesmo sexo tem a ver com isso? Muita gente pega outros versículos pra relativizar o pecado da homossexualidade, muita gente dá o troco dizendo que pecado é a homofobia (e é pecado também!), muita gente tenta argumentar dizendo que “toda forma de amor é válida”, mas Jesus mesmo disse que, por exemplo, o amor ao dinheiro não é válido.

Porém a lógica por trás do pecado da homossexualidade é muito próxima da lógica do porque cochilar no sofá também é pecado: a perversão. E não entenda perversão aqui no sentido de safadeza, mas no sentido alterar o que uma coisa deveria ser. Perverter é pegar uma coisa que tinha um propósito muito bom, e usá-la de uma maneira que pode até parecer boa, mas não é.
Vamos pegar o exemplo do sofá, primeiro.

A tentação de puxar um ronco no sofá é muito forte comigo. Eu tenho que confessar a todos vocês que tenho um problema com sofás. Principalmente porque os sofás, em geral, não são feitos para dormir. O sofá lá de casa é daqueles que foram pensados pra se sentar. O formato dele é feito pra sentar, ele é alto, geralmente tem uns espaços entre uma parte e outra, tem uma inclinação pra trás, tem os braços altos feitos pra apoiar os… braços. Mas eu perverto muito o sofá.

Eu durmo todo torto nele, porque eu não caibo direito nem no de 3 lugares. Eu forço a minha coluna já torta, forço os meus quadris recém operados, e às vezes eu deito no sofá de 2 lugares deixando as pernas pra fora, daí depois acordo com dor nos joelhos. Além de toda essa falta de amor próprio, eu mostro que não me importo com o próximo e babo tudo na almofada, deixando ela fedendo consideravelmente. Meu pescoço, aliás, fica todo torto porque a almofada é muito baixa. Quando tá frio eu coloco umas almofadas em cima do meu cheiroso pé e tento me cobrir com a capa do sofá cheia de ácaros.

Quando eu morava em Bauru a gente ganhou na república um sofá branco com aqueles couros de pobre, sabe? Em duas semanas ele já era bege, e como lá é muito quente, eu costumava dormir no sofá sem camisa. Depois acabava levando 2 horas depois pra conseguir me desgrudar do sofá.

Atualmente, pra tentar pecar menos, eu levei um colchão pra sala de casa, mas não é a mesma coisa, porque existe um lugar certo pra dormir, que é no quarto. No quarto tem uma coisa fantástica chamada cama, com um colchão retinho onde eu caibo inteiro. No quarto fica escurinho e silencioso, e eu não acordo com a propaganda do Hotel Trivago a cada 10 minutos na TV. Na cama eu tenho lençol, então não fico grudado no colchão, e ainda tem cobertor pra quando eu sinto frio, além de um travesseirão onde eu posso babar à vontade porque é só meu mesmo. Ainda tenho mais dois travesseiros, um pra colocar entre os joelhos e um pra abraçar (e não é carência… é solidão mesmo).

Dormir é muito bom, Deus teve uma ótima ideia ao inventar isso, e é até possível dormir no sofá. E não vamos mentir, é gostoso dormir no sofá. A sensação de rebeldia é muito boa. Mas essa não é, nem de longe, a melhor maneira de dormir.

 

Com relação ao sexo é bem parecido: Deus criou o sexo pra ser uma coisa extremamente boa, e tanto em Gênesis quanto nos evangelhos, ele afirma que “sairão o homem e a mulher da casa dos pais, se unirão e se tornarão uma só carne/pessoa”. Deus estabelece que o sexo é a representação máxima da unidade, da união entre um homem e uma mulher que já são independentes dos pais e que passam a viver juntos repartindo tudo como uma só pessoa, ou seja: um homem e uma mulher casados.

Deus usa o sexo para dar o sentido total da ideia de que o homem e a mulher são parceiros que se completam, tanto biologicamente, quanto emocionalmente e espiritualmente. E Deus é tão fantástico que ele cria esse negócio de sexo e coloca um prazer absurdo nesta união perfeita que ele criou, e isso sem a necessidade de nenhum tipo de cirurgia, nem de brinquedos ou equipamentos, nem de cursos, nem de remédios, nem de lubrificantes, pomadas e nem nada disso. (Dizem, né… Não sou a pessoa mais experiente na prática.)

Deus criou o sexo de maneira ótima e perfeita, e não é à toa que a Bíblia toda reforça isso exaltando o amor entre homem e mulher casados, mas condenando o adultério, a prostituição, a zoofilia, e também a prática homossexual.

O pecado de dormir no sofá e das práticas homossexuais podem ser melhor entendidos quando continuamos aquele texto de Romanos 1:18, nos versos 19 e 20:

“Do céu Deus revela a sua ira contra todos os pecados e todas as maldades das pessoas que, por meio das suas más ações, não deixam que os outros conheçam a verdade a respeito de Deus.

Deus castiga essas pessoas porque o que se pode conhecer a respeito de Deus está bem claro para elas, pois foi o próprio Deus que lhes mostrou isso. Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não tem desculpa nenhuma.”

Dormir no sofá e praticar homossexualidade são pecados porque nos impedem de experimentar plenamente as coisas fantásticas que Deus criou para mostrar as suas qualidades invisíveis. O sexo, o descanso, a música, a arte, a comida, a bebida e muitas outras coisas foram criadas por Deus para nos mostrar através do prazer como ele é bom, como ele é poderoso, como deve ser extremamente fantástico viver a eternidade ao lado de um Deus que se preocupa conosco.

Mas nós, por conta de nossa condição pecadora, pervertemos cada coisa boa que Deus criou, porque somos pecadores, rebeldes e achamos que entendemos mais que o próprio Criador.
Ok, a Bíblia fala que a homossexualidade é pecado, existe uma lógica nisso tudo, mas e daí? Isso serve só pra quem é cristão, e fora das igrejas ninguém é obrigado a acreditar nessa história toda de pecado.

Jesus, em João 16:8-9 fala o seguinte:

“Quando o Auxiliador (o Espírito Santo) vier, ele convencerá as pessoas do mundo de que elas tem uma ideia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus. As pessoas do mundo estão erradas a respeito do pecado porque não crêem em mim.

Jesus está falando uma coisa importantíssima a respeito dessa questão toda de pecado: quem convence o pecador não são os cristãos, e sim o próprio Deus. E Deus apenas convence o pecador sobre isso tudo quando vai habitar no coração dessa pessoa. E isso é importante levantar porque nenhum praticante de homossexualidade que não conhece a Deus vai mudar de ideia sobre o próprio pecado enquanto Deus não chacoalhar as coisas lá dentro dele. Até porque, se ele não conhece Deus, ele não tem nem como se preocupar com pecado, céu ou inferno.

Portanto, quero que você guarde isso pra vida: É o Espírito Santo quem convence do pecado, e não o seu textão no Facebook. É o Espírito Santo quem faz a pessoa entender o que é direito e justo, e não uma lei aprovada em Brasília. É o Espírito Santo quem faz a pessoa ter uma ideia correta sobre o julgamento de Deus, e não o seu dedo apontando pro pecado dela. Combinado?

E o fim desta fala de Jesus nos levanta uma pergunta: Homossexuais crêem em Deus?

É pesado falarmos que os homossexuais não conhecem a Deus, principalmente porque em grande parte, infelizmente isso é verdade: a maioria dos homossexuais não conhece a Deus. E isso não é porque eles não querem saber de Deus. Não é porque eles são pecadores sem conserto. Não é porque eles são safados, depravados, esquisitos, doentes ou qualquer outra coisa que se diga por aí. O motivo é bem simples: a maioria dos homossexuais não conhece a Deus porque as igrejas estão chutando eles pra fora.

 

• A HETEROSSEXUALIDADE COMO MULETA DA HIPOCRISIA

E eu digo isso, infelizmente, com propriedade. Passei por muitas igrejas na minha vida, e em uma delas conheci dois rapazes muito diferentes. Num Domingo acabou o culto e eu fui falar com eles e disse “Oi, eu sou o Thales”, e um deles respondeu com um “Oi, eu sou o Fulano.”. Falou forte, grosso, aperto de mão firme, braço peludo, muy hombre. Já o outro soltou um “Olááám, e soum o Ciclanum!”, adicionando um M no fim das palavras mesmo, com a voz fina e mole, dobrando o pescocinho pro lado.

Conheci melhor eles com o passar do tempo, e vi que um deles era todo cabra macho: cortava lenha, falava palavrão, batia nos outros, cuspia no chão, falava de mulher toda hora. O outro, eu nunca soube ao certo, mas achávamos que ele era homossexual: ele era realmente um cara todo delicado, só se dava bem com as meninas, às vezes agia como se fosse uma.

Um ficava jogando bola com os moleques, o outro ficava fazendo fofoca com as meninas. A galera, e eu incluso, zoávamos o suposto gay e exaltávamos o machão. A gente zoava a voz fina de um, mas exaltava o soco forte do outro.

Anos depois, os dois se afastaram da igreja e, cada um ao seu modo, se perdeu numa vida longe de Cristo. Nós fomos incapazes de trabalhar o evangelho em ambos: um porque tínhamos preconceitos; o outro porque achávamos legais os pecados que ele cometia. E tudo isso porque é errado pra um homem chorar vendo um filme, mas é legal pra um homem dar soco na cara dos outros pra mostrar quem manda. A heterossexualidade que nós exaltamos é meio absurda, muitas vezes.

Porque é legal ser o cara pegador. É legal xavecar toda menina que passa por perto. É legal consumir pornografia, principalmente naquelas onde as mulheres se rebaixam a fazer as coisas mais degradantes. É legal ser violento, é muito louco bater em alguém. É legal achar que é superior, que é mais forte. É legal receber nudes, e mais legal ainda repassar pros amigos.

E pras mulheres também: é legal fazer algum rapaz de trouxa e obrigar ele a fazer todas as suas vontades. É legal pegar vários caras. É legal agredir o namorado, gritar com ele, arranhar, dar tapa, beliscão. É legal mandar nudes. É legal fazer chantagem emocional com o marido. É legal trair, é legal mentir, é legal botar a culpa toda na TPM, inclusive.

É legal zoar travesti. É legal falar mal de lésbica. É legal rir de gays.

E por mais que você não ache essas coisas legais, nós costumamos achar tudo isso, no mínimo, aceitável, e tem uma frase que ouvi em um vídeo de uma missionária que resume essas coisas muito bem:

“A heterossexualidade encobre uma multidão de pecados.”

Isso é tão triste quanto verdade.

Porque o cristão heterossexual também reconhece que é pecador, mas geralmente ele acha que ainda tem algo de bom nele: a heterossexualidade. Mas é difícil entender que até a heterossexualidade não presta quando todos os seus desejos também estão corrompidos e pervertidos pelo pecado.

De que adianta ser homem e gostar de mulher, mas pegar uma mina só por pegar? Ou de que adianta ser mulher e gostar de homem, mas namorar só por carência ou por comodidade? De que adianta ser homem e gostar de mulher, mas torcer o pescoço pra ver o bumbum de qualquer moça que passa? Ou de que adianta ser mulher e gostar de homem, mas ficar de papinho com outros caras que não são seu namorado ou marido? De que adianta ser hétero e viver na pornografia, na lascívia, na luxúria, na safadeza?

A heterossexualidade não é nenhuma garantia de uma vida livre de impureza e imoralidade sexual. Nós coamos o mosquito e engolimos 3 hipopótamos por dia. E como é difícil apontar o dedo pra si mesmo, não?

Alguns dos meus amigos cristãos mais fieis a Deus são homossexuais. E eu vejo neles uma coisa que já ouvi falar em outros lugares. Os homoafetivos que se convertem tendem a entender uma coisa que os héteros às vezes demoram pra sacar: você está morto e não tem nada aí que preste. Nada.

E a verdade é que Deus não quer que você entregue a sua vida pra ele, porque morto nem vida tem. Você vai entregar o que pra Deus? Mas Deus sim tem algo pra entregar pra você. E ele quer colocar a vida dele em você.

 

• UMA VIDA NOVA E UMA IDENTIDADE NOVA

Se você é cristão, quero que você pare um pouco agora e se lembre de quem você era antes de conhecer a Deus de verdade. O que você pensava sobre o pecado, o que você pensava sobre a justiça divina.

Quando Deus colocou a vida dele na gente, as coisas começaram a mudar. Em algumas pessoas, foi rapidão, em outras mais devagar, mas em nenhuma foi tudo de uma vez. Isso porque, aos poucos, a pessoa que passa a amar a Deus começa a se tornar parecida com o Filho dele.

Paulo fala disso em Romanos 8:29-30:

“Porque aqueles que já tinham sido escolhidos por Deus ele também separou a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho. Ele fez isso para que o Filho fosse o primeiro entre muitos irmãos. Assim Deus chamou os que havia separado. Não somente os chamou, mas também os aceitou; e não somente os aceitou, mas também repartiu a sua glória com eles.”

O mesmo Deus, que estabelece o que é e o que não é pecado, olha pra nós com amor. Esse mesmo Deus nos escolhe, sabe-se lá porquê. E ele nos chama. E quando nos chama, ele nos aceita. E não nos aceita pelo o que somos, mas porque ele nos adota como filhos dele. E assim, ele reparte da sua glória conosco, nos tornando pouco a pouco mais parecidos com Cristo. E meu, como isso é louco! Mas não para por aí.

Paulo então faz uma pergunta e já a responde no versículo 31:

“Diante de tudo isso, o que mais podemos dizer? Se Deus está do nosso lado, quem poderá nos vencer? Ninguém!

Se Deus é por nós, pecadores, rebeldes, mas ainda aceitos por esse Deus de amor, quem será contra nós? E eu pergunto para vocês: se Deus é pelos homossexuais, quem será contra eles?

Se Deus é pelos mentirosos, quem será contra eles? Se Deus é pelos avarentos, se Deus é pelos gulosos, se Deus é pelos maconheiros, quem será contra eles?

Deus é por nós não porque somos homossexuais, mentirosos, avarentos, idólatras, nem nada disso. Deus também não é por nós sermos heterossexuais! Deus é por nós porque ele enxerga uma nova identidade diferente desta que geralmente nos define.

Lembra aquele texto de 1 Coríntios 6:9-10? Esse é o texto que usamos pra mandar os gays pro Inferno. É muito normal ler ele dando ênfase apenas para os homossexuais, mas, além de ignorar os outros pecados, nós esquecemos de ler também a continuação no versículo 11, dando ênfase às coisas certas:

1ª Coríntios 6:9-11:

“Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus. Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado, separados para pertencer a Deus e aceitos por ele por meio do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus.”

Se você não se encaixa nesta lista que Paulo coloca, fique tranquilo: a Bíblia tem mais um monte de listas dessas. Mas tanto faz, porque mesmo que você fosse assim, você foi lavado do pecado, você foi santificado/separado para pertencer a Deus, você foi aceito por ele, e isso por meio do sacrifício de Jesus e pelo trabalho do Espírito Santo no seu coração! Olha que coisa doida, meu amigo!

 

Mas a gente ainda vive neste planeta caído, e por aqui o Pecado é cruel. Por aqui, o Pecado te define. E talvez ele tenha te definido desde seu nascimento.

Talvez Lady Gaga esteja certa, e gays nasçam gays mesmo. Talvez sim.

Assim como, talvez mentirosos nasçam mentirosos. Talvez violentos nasçam violentos, assim como os ladrões, os tarados, os manipuladores, os idólatras. Todos nós nascemos pecadores, mas em cada um o resultado da queda do homem puxa para um lado diferente. Todos nós temos cravada no nosso interior uma inclinação diferente da carne, dos desejos que nos afastam de conhecer e experimentar este Deus de amor. Cada um perverte à sua maneira a criação perfeita de Deus, e cada um coloca amor nas coisas erradas.

E por isso cada um, errando em coisas diferentes, merece ir para o mesmo Inferno, para morrer eternamente separado de Deus. De quem mata à quem mente. De quem estupra à quem idolatra. De quem se relaciona com uma pessoa do mesmo sexo à quem dorme no sofá. Todos pecaram e merecem ir pro Inferno, lembra?

Mas quando o Espírito Santo de Deus entra no nosso coração, e o sacrifício de Cristo toma o nosso lugar na condenação, e o sangue dele lava os nossos pecados, aí nós recebemos uma nova identidade. Não somos mais definidos como idólatras, nem mentirosos, nem bêbados, nem drogados, nem tarados, nem vagabundos, nem adúlteros, nem ladrões, nem imorais, nem homossexuais. Não!

Nós agora somos os escolhidos, os resgatados, os comprados pelo preço mais alto do Universo. Nós somos os libertos, os que foram lavados de todo esse pecado que nos definia, e esse pecado já não tem mais domínio sobre nós!

Então nós começamos a ser trabalhados diariamente para nos tornarmos cada dia mais parecidos com Jesus, o mesmo Jesus que pega nossa velha identidade com o nome do nosso pecado estampado e a rasga. E esse Jesus nos entrega uma nova identidade com apenas três palavras escritas: “Filho de Deus”.

Mentiroso? Não, Filho de Deus. Tarado? Não, Filho de Deus. Assassino? Não, Filho de Deus. Pedófilo, Estuprador, Agiota, Corrupto? Não, Filho de Deus. Homossexual? Não, Filho de Deus. Corintiano? Vixi… ok, Filho de Deus, vai.

 

• A IGREJA PRECISA DE CURA

Somos Filhos de Deus agora, mas nós éramos mortos. Agora temos vida, mas Deus não quer apenas dar vida, ele quer pegar esta vida e nos tornar santos. E é papel da igreja entender que a santificação é um processo, e não acontece da noite do dia.

Tenho amigos cristãos que são homossexuais e, mesmo tendo se afastado das práticas, lutam contra os desejos homossexuais todos os dias, e talvez vão lutar até o último dia de vida. E essa luta contra o pecado é a mesma que outros cristãos heterossexuais estão travando agora, lutando contra o adultério, contra a pornografia, contra o sexo sem compromisso e outras coisas. Mas, apesar dos nossos desejos, temos um Deus que está transformando todas as coisas dentro de cada um de nós.

Nós nos acostumamos com vários pecadores dentro das igrejas, mas ainda temos medo de lidar com os homossexuais. Nós temos medo de falar a verdade da Bíblia, temos medo de lidar com eles nas reuniões, temos medo de quando tivermos algum deles no meio de nós.

Mas, cara, abra os olhos: eles já estão na igreja. Sempre estiveram. E se eles não ouvirem o que a Bíblia tem a falar sobre isso, vão acreditar no discurso que o mundo tem a falar. E, mais do que isso, se eles não forem amados pela igreja, o mundo já está de braços abertos para recebê-los.

Por isso, não é através de leis, de brigas judiciais, de cura-gay e muito menos através do nosso preconceito que eles vão conhecer o amor de Deus, do Deus que é capaz de transformar a morte deles em vida, como transformou a nossa.

É apenas através do evangelho, da boa nova, da boa notícia de que Deus, independente de quem a pessoa é, pela sua graça a escolhe, a chama, a lava e lhe dá uma nova identidade que tem poder para mudar tudo. E essa identidade é a de Filho de Deus.

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Neymar, nem eu, nem você.

Milhares de pessoas em pé ao redor de um campo. Bilhões de pessoas ao redor do mundo sentadas na beiradinha do sofá e estrangulando a almofada. Dez companheiros ajoelhados. Onze rivais secando. Quarenta e quatro metros de caminhada. Ele pegou a bola, deu um beijo no seu primeiro grande amor e a repousou a onze metros do abismo entre o sucesso e a maldição. Um som de apito. Todo mundo quieto e eu afirmei “Eu não queria ser o Neymar hoje”.

Como 99% dos brasileirinhos, eu também sonhei ostentar a camisa 10 e a braçadeira de capitão da Seleção. Eu vi Raí, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká carregarem o peso desse número nas costas, eu vi Dunga e Cafu ensinarem que a liderança vai muito além de um pano azul enrolado no braço direito (e vi Thiago Silva mostrando que essa responsabilidade não é pra qualquer um). Eu vi o futebol brasileiro ser motivo de piada em vários Jogos Olímpicos. Eu vi o 7×1 dois anos atrás. E agora eu e todo mundo víamos em Neymar a esperança do único título que faltava em nossa prateleira futebolística.

Ele já tinha feito um golaço, já tinha dado vários passes geniais, já tinha quase feito outro gol, já tinha batido no peito e encorajado os outros jogadores antes dos pênaltis e ficou com a cobrança mais difícil de todas. Qualquer coisa menor que a perfeição e tudo que ele havia feito não valeria de nada. Nem o Neymar queria ser o Neymar naquela hora.

Mas ele respirou, correu, bateu e o Planeta Terra deu uma chacoalhada com tanta gente pulando ao mesmo tempo. Eu dei um pulo, gritei “AEEE BRASIL!”, e já aproveitei pra falar tchau e correr porque estava 15 minutos atrasado pra dar um estudo sobre soteriologia na igreja (parece chato, e é mesmo, mas a gente fez ficar legal lá).

Enquanto dirigia o carro, não conseguia tirar da cabeça a imagem do Neymar comemorando o ouro sem marra nenhuma, agradecendo a Deus ao mesmo tempo em que soluçava de tanto chorar com a cara enfiada na grama. Não via a hora de voltar pra casa e terminar de assistir a cerimônia de premiação com todos aqueles caras que deram um pouco de alegria pra um povo tão sofrido como o nosso. Cheguei em casa, abri o celular e vi uma bela foto do Neymar com uma faixa escrito “100% Jesus” na testa e a legenda “Neymar diz ‘Vocês vão ter que me engolir’, parte pra cima de torcedor e o manda tomar naquele lugar”. Eita, Neymar…

Ao invés dos melhores momentos com dribles, passes e aquela cobrança de falta que até Rogério Ceni aplaudiu de pé, tudo que vi era o tamanho da incoerência desse rapaz que carrega Jesus na testa mas manda o próximo ir tomar lá. Os piores momentos dele, curiosamente, transformaram tudo que ele fez em nada mais que a obrigação. Eu não queria ser o Neymar mesmo.

Imagino como deve ser pesado ter vigilância 24 horas sobre sua vida. Imagino como deve ser conversar com seus colegas de trabalho tampando a boca porque vão fazer sua leitura labial mais tarde no Fantásico. Imagino como deve ser animador não conseguir dar um passo pra fora de casa sem tomar flash na cara. Imagino ter amigos que se importam mais com o que tenho do que comigo. Imagino muita oferta de sexo e nenhuma de amor. Imagino o Galvão Bueno me ligando Domingo de manhã. Imagino ter dinheiro suficiente pra me esquecer de Deus.

Imagino todos os meus pecados em destaque na capa do UOL.

Não estou defendendo o que o Neymar fez de errado, mas é muito fácil falar do pecado alheio quando ninguém sabe do nosso. É muito fácil apontar os erros dos outros, mas é bem complicado abrir nosso armário e deixar todo mundo ver o tanto de esqueletos que temos guardado durante nossa vida. Eu gosto de imaginar que no Juízo Final vai ter um enorme telão onde vai passar, humano por humano e pra toda a humanidade, tudo o que nós fizemos de errado por aqui. Imagina só passando todas as mentiras que nós contamos; imagina só passando um close de todas as vezes que olhamos pra bunda de alguém; imagina só passando todos os pensamentos de ódio que guardamos pra nós; imagina os históricos de internet que deletamos; imagina as brigas que tivemos; imagina a desobediência aos pais; imagina a indiferença com quem precisava; imagina a propina; imagina a avareza; imagina a sonegação; imagina a preguiça; imagina as vezes em que pensamos “vocês vão ter que me engolir”; imagina as vezes em que falamos “Deus te abençoe”, mas nosso coração gritava “Vai tomar no meio do…”.

Imagina se todo mundo soubesse como todo mundo é ruim.

O mesmo Jesus que Neymar amarrou na testa disse uma vez que é importante tirar a trave do próprio olho antes de querer enfiar o dedo no olho alheio pra mostrar que tem um cisco lá. O meu erro não anula o erro do outro, mas perceber que também erro me move a agir com amor quando vejo o outro errando também.

Cada um à sua maneira e segundo as suas fraquezas é atraído pro mal. Mais cego é aquele que só vê o mal no outro. E eu demorei muito pra aprender isso.

Minha vida inteira fui rotulado como menino 100% Jesus e por muito tempo eu tentei sustentar essa imagem, mas não existe super crente e eu passo bem longe disso. Me dá medo saber que muita gente me enxerga assim porque de certa maneira eu viro um ídolo, e daí pra virar um Judas sendo malhado em praça pública custa apenas um erro descoberto. E eu finjo muito bem, gente.

Pior que os erros que cometemos, é o erro de interpretação de texto quando lemos a Bíblia. Há muito, muito tempo atrás um tal de João Ferreira de Almeida, português gente boa, traduziu a Bíblia pro Português, e ele escolheu uma palavra bonita pra explicar o que temos que fazer quando virmos alguém fazendo merda: exortar. O problema é que todo mundo acha que exortação é sinônimo de bronca, chamar atenção. Mas não, procure aí no seu dicionário. Exortar significa animar. Simples assim.

Pra cada “não faça isso” da Bíblia, existe um “mas faça desse jeito que é bem melhor”. Nossa função não é a de apontar o dedo e levantar pedras pra condenar o erro dando bronca na pessoa, mas sim a de chegar no outro e falar “Ei, mano, assim dá merda. Vamos tentar desse outro jeito na próxima?”. Não tem nada mais eficiente pra parar de errar do que tentar acertar.

Nossa decepção com o erro do outro vem na mesma proporção que nossa expectativa. Mas o erro maior está em esperar algo de bom de gente que tem uma natureza tão corrupta e enganosa quanto a nossa. Esperar de um humano qualquer coisa além da natureza humana é idolatria.

E isso conta não só pro Neymar ou pra mim, mas pra você, pro pastor da igreja, pro padre, pra freira, pro faxineiro, pra empregada, pra sua mãe, pro professor, pro presidente e até pro seu vizinho ateu. Não existe gente perfeita, mas também não existe caso perdido. Somos todos barro, constantemente sendo moldados, mas teimosos em continuar rachando.

Que no dia do Telão Final, depois de toda a humanidade assistir os nossos piores momentos, Jesus delete esse arquivo e diga: você fez muita merda, mas vem cá que você é 100% meu.